segunda-feira, 30 de abril de 2018

Uma história que transcende as barreiras e da essência do jornalismo










Uma aula de jornalismo e uma lição de vida assim pode ser definida a essência o documentário The newspaperman: the life and times de Bem Bradlee  (O Homem do Jornal: A Vida de Ben Bradlee), de John Maggio, com duração de 90 minutos e narrado pelo próprio jornalista. O filme revela a história de um controvertido  profissional em imprensa que foi  aluno de uma das melhores universidades americanas,  oficial da Marinha americana com oito condecorações, correspondente internacional, privou da amizade do presidente John Kennedy, que durante 29 anos foi editor do Washington Post e personagem interpretado por Jason Robards e Tom Hanks, em Todos os Homens do Presidente, de Alan Pakula, e do  The Post - A Guerra Secreta.
Com uma série de depoimentos da mulher, dos filhos e amigos, o filme revela a história de um homem de  família conservadora e que esteve incluído num estudo sobre lideres da Universidade de Havard nos anos 40. Ele conta que casou com a primeira jovem que namorou e no mesmo dia passou a atuar por oito anos na Marinha dos Estados Unidos, revelando sua capacidade de liderança e de resiliência no Pacífico durante a II Guerra Mundial.
Uma mostra desta capacidade foi o fato que na adolescência foi acometido poliomielite e superou as sequelas dedicando-se ao esporte com  ajuda e incentivo decisivos do pai. Ele  conseguiu seu primeiro emprego como jornalista em 1948 e acabou  consolidando a sua carreira quando convidado para ser  correspondente da revista Newsweek em Paris, onde conheceu a segunda mulher Tony.
O filme revela todas as facetas do jornalista, que viveu em festas e happenings de uma sociedade glamorosa,  flertando com mulheres cativanetes e cultivando amizade íntima com os Kennedys, em especial com John Kennedy que foi eleito presidente dos Estados Unidos e não perdoava nem mesmo a mulher do amigo.
Bradlee teve participação decisiva como  editor do The Washington Post na  divulgação dos Papéis do Pentágono, que resultou  numa vitória da liberdade de imprensa na Suprema Corte  - sequenciando uma cobertura iniciada pelo New York Times, que foi impedido de divulgar uma sequência de reportagens de documentos secretos sobre a guerra do Vietnã, através e uma decisão favorável ao governo americano – e que abalou o governo de Richard Nixon e o Caso Watergate acabou por derrubá-lo depois de reeleito para presidência dos Estados Unidos.
O problema é que os próceres do governo no caso de Watergate ao invés de admitirem os erros do presidente, botavam a culpa do escândalo na imprensa como ocorre no âmbito tupiniquim com os nossos corruptos envolvidos na Operação Lava Jato.
Os dois casos que tiveram repercussão mundial e são narrados no filme pelo próprio Bem Bradlee, como  também por seus protagonistas, como os repórteres Bob Woodward e Carl Berstein, que levaram com o seu aval até o fim a apuração do caso do Watergate, que a princípio seria um roubo conduzido por cinco ladrões desastrados, mas desmascarados pelos seus vínculos com a CIA e consequentemente com o governo americano. O presidente Nixon era vingativo e gravava costumeiramente as conversas com aliados e inimigos políticos, chegando a banir da Casa Branca a presença dos jornalistas do Washington Post.
No documentário que inclui depoimentos de familiares, amigos, jornalistas e políticos, o ex-secretário de Estado, Henry Kissinger fala do estilo jornalístico de Bradlee que criou uma coluna sobre gente revelando o dia a dia dos poderosos de platão, como um profissional que tinha uma preocupação com boas histórias e a verdade.
Revela ainda as duas facetas do editor, que se desculpou e assumiu um erro por uma série de reportagens indicadas para o Pulitzer – o maior prêmio jornalístico da imprensa americana-   que, comprovou-se, haviam sido forjadas pela repórter  Janet Cooke ao narrar a história fictícia – uma Fake News – de um menino de oito anos viciado em heroína desde os cinco anos. 
Bradlee assumiu o engano com uma histórica  matéria de capa seguida de quatro páginas internas, num exemplo louvável de humildade e de transparência, coisa de quem sabe separar o joio do trigo e por experiência pessoal,  avançar e recuar no momento preciso, o que aprendeu nas artes da guerra e que aplicou com sabedoria na vida.(Kleber Torres)

sábado, 10 de março de 2018

Viver às vezes parece ser fácil de olhos fechados embora seja sempre perigoso





        Candidato da Espanha ao Oscar 2015 na categoria melhor filme estrangeiro, Viver é Fácil Com os Olhos Fechados tem como referência de título o primeiro verso da segunda parte da música Strawberry Fields Forever, destacando que Living is easy with eyes closed. O filme é um Road Movie misturando com excelentes resultados realidade e ficção a partir de um fato real: a ida de John Lennon à Espanha para filmar Como Eu Ganhei a Guerra, rodado em 1966, durante a ditadura franquista, o que gerou uma ampla polêmica internacional.
        O filme começa com um curto documentário mostrando o sucesso global dos Beatles e fatos polêmicos sobre o grupo já em fase de desagregação como a comparação de Lennon no auge da banda declarando: “Atualmente somos mais populares que Jesus Cristo".”  O roqueiro iconoclasta também se queixa no documentário das pressões cotidianas que colocavam em questão a própria individualidade dos artistas, que já não sabiam quem eram em função das apresentações contínuas em vários países e das exigências do marketing dos seus promotores e produtores.
        Tudo começa quando, em plena ditadura do generalíssimo Franco, Lennon, com a mulher, filho e equipe de filmagem se desloca para a cidade espanhola de Almería, com o objetivo de rodar um longa-metragem. A filmagem ocorre em meio aos rumores de dissolução do grupo o que aconteceu somente três anos depois.
        O filme tem como personagem principal o solitário professor Antonio San Roman (Javier Cámara), que leva uma vida modesta  ensinando inglês e latim numa rígida escola religiosa. Ele procura ensinar a língua inglesa aos alunos usando canções dos Beatles e numa das aulas ele faz uma análise da letra de Help (Ajude), que tem um sentido amplo com metáforas  sobre a juventude e a idade adulta, até porque todos nós em um momento da vida vamos  necessitar de algum tipo de ajuda de alguém.
        Tudo muda quando Antonio descobre que seu ídolo Lennon está em Almeria, uma pequena cidade onde prosperam melecas e ramelas. Então,  ele  pega o seu velho carro e parte de Madri para o interior, disposto a conversar com John Lennon e reclamar porque os discos dos Beatles não traziam no encarte as letras das músicas. Coincidência ou não entre realidade e ficção, o filme faz referência no final, que após 1966, os discos da banda britânica na Espanha tiveram encartes com as respectivas letras das músicas.
        Nesta viagem ele encontra dois jovens a quem oferece carona: a bela Belén (Natalia Molina) uma adolescente que esta enjoando no terceiro mês de gravidez e Juanjo (Francesc Colomer),iniciando uma viagem quixotesca marcada de esperança e muitas decepções. Os três oferecem o lastro da dimensão humana do filme com seus dramas: um professor solitário e que era um beatlemaníaco, uma jovem sem rumo e que se prepara para ter um filho, mas que rejeita uma proposta de casamento do professor e acaba tendo momentos íntimos com Juanjo.
        Juanjo, que criava cabelos longos como os dos Beatles, era um jovem rebelde, que foge de casa aos 16 anos por contestar a autoridade paterna e esta mais sintonizado com os Rolling Stones, considerados mais agressivos e  mal comportados.
        O jovem acaba agredido por fregueses machistas do bar onde vai trabalhar e o professor Antonio acumula além disto frustrações pelo fechamento da estrada que dava acesso ao local das filmagens, o que o faz indagar porque tudo dava errado com ele. Outra tentativa frustrada dele é quando chega à casa alugada por Lennon e expulso do portão pela mulher do músico e ator, Cynthia que joga em sua direção caqueiros de planta quando o professor tentava abordar o filhote do casal, Julian Lennon.
          Cabe salientar que o professor  tem sucesso no encontro com o Beatle depois de um contato com um integrante da equipe de filmagem no cinema onde eram rodadas as cenas de cada dia de filmagem, mas o encontro é particular, no set de filmagens sem testemunhas, porque o astro do rock era uma pessoa tímida. O professor é recebido pelo roqueiro numa motorhome.
        O filme tem no seu titulo uma critica velada à  sombria ditadura franquista que deixou no seu rastro milhares de mortos. O  diretor David Trueba consegue colocar na tela os dramas e sonhos humanos, bem como a questão da deficiência de Bruno, um jovem com lesões no cérebro e que vive restrito a uma cadeira de roda.
        Além de conseguir mostrar a dimensão dos dramas humanos e tapas em profusão em várias sequencias, o filme também prima pela qualidade da fotografia no quente verão espanhol e ao resgatar o figurino de uma  época de mudanças culturais aceleradas.
        Em  Viver é Fácil com os Olhos Fechados o professor Antonio mostra que não se pode viver com medo e é preciso ousar, não apenas contra uma ditadura fascista, mas e também contra os seus simbolos um padre ranzinza que aplicava tabefes nos alunos.
        O professor também nos alerta para que não se deixe roubar a dignidade e enquanto Juanjo volta em companhia do pai e de Belén para Madrid. Ele, antes do retorno à capital espanhola destrói a plantação de morangos (strawberry fields) do agricultor que espancou o jovem e o havia agredido quando foi exigir que o mesmo se desculpasse junto ao adolescente.
        Realizado nesta missão, o professor vibrava bem alto “Help” ao volante do seu pequeno carro e como um quinto beatle sumiu na estrada retornado para casa ao som de Strawbarry Fields Forever, talvez mostrando uma contradição de que viver não é fácil muito menos de olhos fechados e como dizia o nosso Guimarães Rosa, é muito perigoso. (Kleber Torres)


Ficha técnica:

Titulo : Viver é fácil de olhos fechados / Living is easy with eyes closed
Direção e roteiro : David Trueba
Elenco : Francisco Colomer (Juanjo), Javier Câmara (Antonio), Ramon Fontserè (Ramon), Natalia Molina (Belén), Rogelio Fernandez (Bruno), Jorge Sanz (Dad) e  Violeta Rodriguez (Julia)
Música : Pat Matheny e Charlie Haden
Cinematografista : Daniel Pilar
Espanha
Colorido
105 minutos

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Qual a lógica e os limites entre ficção e realidade ?





Qual o limite ficção e  realidade é o tema de In the Mouth of Madness (À Beira da Loucura ), um filme de terror  por dirigido por John Carpenter e que mergulha no roteiro de Michael de Luca no universo abismal e caótico de H.P.Lovercraft, um escritor americano que revolucionou o gênero de terror, atribuindo-lhe elementos fantásticos típicos dos gêneros de fantasia e ficção científica.
A história começa quando um investigador, John Trent (Sam Neill) é contratado para localizar Sutter Cane ( Jürgen Prochnow), um escritor de livros de terror que, após terminar seu último livro, desapareceu misteriosamente e sem deixar rastros. Mesmo desconfiando que isso não passa de uma jogada publicitária de marketing para divulgação do livro alavancando as vendas, ele aceita o trabalho de investigação.
Sem pistas definidas, ele começa a ler os livros do escritor desaparecido, buscando identificar  um local onde o Cane possa estar escondido, o que o leva à loucura. O problema é os livros de terror de Cane são essencialmente violentos e, após sua leitura, os leitores começam a agir de modo bizarro, provocando incidentes e mortes.
No início do filme,  as cenas se concentram num paciente, Trent internado num manicômio e que nega ser louco, pede um cigarro ao psiquiatra e depois, numa outra sequência manifesta sinais de já admitir a prevalência da loucura. Como investigador, ele  procurava ao mesmo tempo seguir a rota de pagamentos ao escritor, Sytter Cane considerado o profeta louco das palavras impressa, cuja ficção se tornou uma espécie de religião, um processo que culmina com a publicação do livro The Mouse of Madness, que dá titulo ao filme.
O problema é que em paralelo ao sumiço do escritor, cuja obra em seu conjunto tem um valor estimado de U$S 1 bilhão,  o seu agente literário fica louco e acaba contido à bala, o que coloca em xeque a ideia de um golpe publicitário para divulgação do novo best-seller. Também fica evidenciado para o investigador John Trent é que um ano antes do desaparecimento de Cane o seu trabalho havia se tornado cada vez mais estranho e bizarro, considerando que ele refletia não a ficção, mas a própria realidade, o que é um dos temas centrais do filme que tem um desenho noir.
O detetive, que parece um cético, acredita que  o efeito dos livros no comportamento dos leitores e do próprio agente literário seria fruto de uma espécie de histeria coletiva. Mas, o desenrolar do filme é marcado ainda por noticias sobre uma escalada de violência e mesmo da morte de policiais, enquanto o detetive Trent começa a devorar  os livros do escritor descobrindo criaturas sinistras que vivem na escuridão ou gente que enlouquece e vira monstro.
Trent também  sonha vendo um policial que ia lhe bater virar monstro, além de ver mortos vivos e corpos sangrando. No filme não há violência explicita, mas sugerida por cortes providenciais. Assim, enquanto o detetive  continua devorando os livros de Cane, ele romonta a sua capa, construindo um mapa em que colocando Hobb’s End, um lugar imaginário e cenário do romance   In the Mouse of Madness na Nova Inglaterra (New England).
A editora Linda Styles(Julie Carmen) propõe que o detetive a acompanhe até a Nova Inglaterra. Na viagem em um carro que passeia entre nuvens, eles passam por um estranho garoto de bicicleta e depois Styles atropela um velho que viajava na direção inversa à sua  e que acaba morrendo. Mas em Hobb’s End, onde chegam, tudo é insólito: as ruas estão vazias, há uma casa de antiguidades e num hotel, uma velha senhora seria a personagem do romance de Cane e que teria matado o marido, os hospeda. Na viagem, Trent e Styles também conversam sobre a relação entre realidade/ficção e sanidade/insanidade, mas quais os limites da razão e do bom senso?
Na cidade e no seu entorno, as cenas de violência se seguem em sequências diversas em que aparecem cães rottweiler agressivos, crianças violentas e homens armados que também procuram por Cane, abrigado numa espécie de catedral gótica. Em essência tudo parece indicar que o fim do mundo se iniciava em Hobbs End.
Styles deixa o detetive no hotel e  tenta escapar do labirinto de Hobb’a End sonzinha, mas o dono de um bar onde vai lhe diz que a cidade não é para turistas, depois, ela vai a uma Igreja onde uma criança a chama de mãe e em seguida encontra Cane  protegido pelos cachorros.  Ao voltar ao hotel a editora vê o quadro do hotel mudar de forma e descobre que a realidade é relativa e o que aparentemente é não existia.
Trent também tenta deixar a cidade cuja população parece enlouquecida e encontra Sutter Cane que pede para que ele o deixasse porque seria bom para o livro e que levasse os seus originais para o editor. O detive destrói os originais e apresenta o seu relato ao CEO da editora, Charlton Heston, que le informa sobre a publicação já editada e o filme que está chegando aos cinemas;
Mas À Beira da Loucura prossegue com cenas estranhas e neste ínterim a cidade convive com nova onda de violência e de crimes, numa escalada sem precedentes e o filme termina com o hospício destruído e com os móveis quebrados, com Trent ganhando as ruas, enquanto no prenúncio de uma espécie de  apocalipse uma voz numa emissora de radio informa  que vai continuar a transitir enquanto  puder aguentar. Um cinema abandonado e em meio ao cenário caótico ostenta cartazes e a exibição do In the Mouse of Madness, mostrando o caos e a boca escancarada da loucura.


Ficha Técnica

Titulo : À Beira da Loucura (In the Mouse of Madness)
Direção : John Carpenter
Roteiro : Michael de Luca
Elenco: Sam Neil, Jurgen Prochnow, David Warner, Charlton Heston, Julie Carmen
Gênero : Terror
Origem : EUA
Ano : 1995

95 minutos 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Miles Davis une jornalismo e música num filme autobiográfico



Ao tentar  publicar uma matéria exclusiva sobre o trompetista Miles Davis (Don Cheadle), um dos mais influentes músicos do século XX, que estava afastado dos palcos há cinco anos em função do uso intensivo de drogas e medicamentos, o repórter Dave Braden (Ewan McGregor) não respeita o seu isolamento e tenta resgatar a história do músico numa reportagem para a Rolling Stone, uma revista mensal americana, com foco na música, política e cultura popular, o que resulta numa inesperada aventura marcada por flashbacks. O resultado é o resgate da trajetória de artista sem limites e a revelação das diversas facetas controvertidas de um maiores dos astros do jazz.
Tudo começa quando Davis, que estava afastado há anos do circuito musical, faz uma intervenção em um programa de uma emissora americana e pede que não chamem a sua música de jazz, mas simplesmente de música da alma, complementando: “se vai contar uma história, conte com atitude, não me venha com papo furado”.
No mesmo programa o trompetista  faz referências a So What,  no álbum Kind of Blue, uma  álbum gravado em 1958, com a participação de monstros como o pianista Bill Evans, o baterista Jimmy Cobb, o baixista Paul Chambers e os saxofonistas John Coltrane e Julian “Cannonball” Adderley. O álbum tem sido aclamado pela critica como o mais bem-sucedido trabalho de Miles Davis e a obra de jazz mais vendida ao longo do tempo.
Davis pede ainda que o apresentador do programa toque Solea, um dos destaques do álbum Sketches os Spain, de 1959, onde também aparecem como destaques "Concierto de Aranjuez" , de Joaquim Rodrigo; “Will of the Wisp”, de Manuel Falla; “The Pan Piper” de Gil Evans, que também assina Saeta e Solea.
Para o jornalista Dave Braden, Davis define sua história de vida em duas linhas: “ nasci e mudei para Nova York, conheci uns caras, compus umas música, usei umas drogas (coca e heroína), compus ainda mais e até você aparecer na minha casa.” O filme fala da relação conturbada de Davis com a dançarina Cicely Tyson, que o ajudou numa das fases a superar o vício em heroína e que o deixa em definitivo em 1988.
Com  o objetivo de conseguir a entrevista desejada o repórter promete a Davis a melhor cocaína da cidade e ele acaba autografando na casa do traficante diversos álbuns que o mesmo colecionava. Ao jornalista, Davis, que era filho de uma família de recursos, também conta que acordou negro e sabendo tocar  e diz acreditar que a música que não evolui está morta e sepultada.
O filme é marcado por muitos flashbacks da vida do artista, com incursões na sua vida sentimental, nas festas que fazia, nos cuidados em guardar gravações, na relação conturbada com as gravadoras e que foi também vítima de prisões forjadas quando um policial o ameaça e espanca injustamente.
O filme mostra o lado humano de um artista completo, que teve muitos altos e baixos como todos os seres humanos, mas deixou imortalizada uma obra gigantesca, e que em 1944, tocou no  grupo de Billy Eckstine, em St. Louis, onde se apresentou ao lado de lendas vivas como Dizzy Gillespie e de Charles Parquer, The Bird, ao substituir  Buddy Anderson, entrando como terceiro trompetista por algumas semanas, mas acabou ficando em definitivo, sendo incorporado ao elenco da banda.
Alguns críticos questionam a qualidade do filme em função dos cortes rápidos e de veracidade da história, com o trompetista e o repórter em busca de cocaína e de receber US$ 20 mil que lhe eram devidos por uma gravadora, nas fica a ligeira sensação de que faltava algo mais, inclusive em termos de músicas de um artista com um legado tão expressivo e de qualidade reconhecida internacionalmente. (Kleber Torres)

Ficha técnica

Títulos : Miles Ahead (Miles Davis)
Direção: Don Cheadle
Elenco: Don Cheadle, Ewan McGregor, Emayatzy Corinealdi  
Gênero: Drama e Biografia  

Estados Unidos

domingo, 14 de janeiro de 2018

Uma história de resiliência e superação dos limites humanos


Resiliência é a palavra chave que define o filme Sangue pela Glória (Bleed for This) ao narrar o drama do pugilista Vinny Pazienza (Miles Teller), um lutador que volta aos ringues depois de um grave acidente automobilístico e conquista em seguida um titulo mundial. Dirigido com competência por Ben Younger, que também assina o roteiro, o filme foi produzido pelo lendário Martin Scorsese diretor de dezenas de filmes a exemplo de Taxi Driver e Touro Indomável.

 Com uma carreira marcada por altos e baixos, mas com uma técnica e estilo inconfundíveis que lhe renderam muitas vitórias e pelo menos três derrotas consecutivas, que quase o deixaram fora dos ringues, Pazienza conseguiu um titulo mundial numa categoria superior à sua graças à ajuda do treinador Kevin Rooney (Aaron Eckhart), que se tornou célebre Kevin Rooney (Aaron Eckhart), na preparação de Mike Tyson, de quem havia se afastado por questões pessoais. 

Alguns dias depois dessa grande, ele acaba sofrendo um sério acidentes ao pegar uma carona com um amigo. Depois de permanecer vários dias entre a vida e a morte numa unidade de terapia intensiva, ele acorda e descobre que sofreu sérias lesões no pescoço, o que poderia comprometer os movimentos, com risco de deixá-lo paraplégico e sem condições de voltar aos ringues que era a sua paixão. Mesmo usando uma traquitana de aparelhos com parafusos na cabeça e no tronco para recalcificação das lesões, ele começa secretamente, sem o conhecimento da família e do técnico a treinar no porão da sua casa. Depois, ela passa a contar com a ajuda de seu treinador Rooney.

 A recuperação de Pazienza é lenta, primeiro pegando pesos e fazendo trabalho de musculação. Contrário ao uso de qualquer tipo de droga ou bebida, o lutador se recusa até mesmo de receber anestesia para retirada dos parafusos que prendiam os equipamentos à cabeça e ao tronco, o que lhe dava uma aparência de ET e dificultava até mesmo entrar e sair de um carro pequeno. A sua recuperação surpreende até mesmo aos médicos que duvidavam que voltasse até mesmo a andar. A historia de Vinny Pazienza começa em casa, ou melhor, na academia de seu pai onde iniciou ainda muito jovem a treinar, tendo como modelo e ídolo Cassius Clay Jr. depois Muhammad Ali, de quem copia de certa forma a técnica dos jabs e ajustando ao seu estilo a dança no ringue. 

O treinador Kevin Rooney tem papel fundamental no preparo do pugilista, que conta como apoio integral da família, em especial seu pai Angelo (Ciarán Hinds), que negocia pessoalmente a sua volta aos ringues enfrentando Duran Mão de Pedra, até então um lutador imbatível, garantindo um contrato milionário. O filme mostra que os sonhos não morrem e que impossível é uma palavra fora dos dicionários das pessoas resilientes e que têm pelo mens um objetivo na vida.

(Kleber Torres) 

  Ficha técnica Direção e roteiro: Ben Younger 
Elenco: Milles Teler, Aaron Eckart, Katey Sagal, Ciarán hinds, Ted Levine, Amanda Clayton, Jordan Gelber e Christine Evangeista 
Diretor de fotografia : Larkin Seiple  
Cenografista : Kay Lee

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Blade Runner e o questionamento sobre o que é ser humano ou não


Considerado um clássico entre os filmes de ficção científica, Blade Runner – O Caçador de Andróides (1982), que ganhou recentemente uma sequência com Blade Runner 2049, apresenta em sua estrutura diferentes níveis dramáticos e narrativos com uma abordagem ampla sobre filosofia, religião, meio ambiente, bioética, discutindo as implicações morais do desenvolvimento da inteligência artificial e a questão domínio da engenharia genética para a produção de andróides. O filme, que tem o seu referencial num futuro distópico, mostra as contradições de uma sociedade rica com alta tecnologia e cenários iluminados, que convive ao mesmo tempo com a pobreza, superpopulação e a violência nos bairros sujos da periferia, ampliando o debate sobre o que é humano ou não. O filme também revela a prevalência dos grandes grupos econômicos, um fenômeno do mundo globalizado e que oferecem trabalho e opções seguras para quem quer viver fora do planeta em colônias interplanetárias, mostrando ao mesmo tempo a ação repressiva da policia com o seu aparato de segurança, como fator de controle social. Blade Runner centra na discussão sobre o afinal que é humano ou não numa sociedade futurística em que as pessoas competem com replicantes, misto de máquinas e seres biológicos, usados em atividades de alto risco, mas que são reconhecidos a partir de um teste de empatia com cerca de 30 perguntas focadas também na relação com seres humanos e animais. Outra abordagem está na questão de se Rick Deckard (Harrison Ford) é um humano ou um replicante em função do seu comportamento bizarro, o que permite releituras diversas sobre um personagem, que tem o brilho dourado das pupilas dilatadas dos olhos dos replicantes, um tema enfocado na nova versão de 2049. Esse fato é insinuado também numa sequência em que o ex-policial manifesta sua gratidão a Rachel, que o havia salvo eliminando um dos seus oponentes (Leon) e a prometer não caçá-la, mesmo sabendo que vão mandar alguém no seu lugar. Blade Runner também faz alusões ao costume dos replicantes em colecionar fotografias material usado para argumentar uma construção de uma possível história de vida comparada à dos humanos que têm pai, mãe e um histórico familiar e privam relações sociais na escola, no trabalho e em tudo o mais. Tudo começa em novembro de 2019, em Los Angeles, onde o ex-policial Rick Deckard, que era um experiente Blade Runner, ou seja, caçador de andróides para eliminação, é submetido a uma detenção coercitiva pelo agente Gaff (Edward James Olmos) que o apresenta ao capitão Bryant que o convoca para uma nova missão: eliminar quatro bonecos que voltaram à terra ilegalmente depois de uma rebelião em que morreram 23 pessoas. O ponto em comum entre eles é que todos foram criados pela Tyrell, uma corporação que trabalhava com biotecnologia e havia desenvolvido o protótipo Nexus-6, máquinas (?) sem compaixão e empatia – caracteristicas dos psicopatas - , mas com vida útil limitada a apenas quatro anos e muito parecidos fisicamente com os humanos. O grupo teria voltado à Terra para tentar prolongar suas vidas indo em busca dos seus criadores. No dialogo com o ex-policial o capitão deixa claro para Deckart que ele não tem opções: porque se não for policial, vira gentalha, passando a integrar a ralé e o grupo de pessoas marginalizadas sem referencias na sociedade. Na busca de pistas deste grupo de replicantes, Deckard assiste a uma gravação de vídeo de um Blade Runner aplicando um teste "Voight-Kampff", uma espécie de polígrafo capaz identificar replicantes diferenciando-os dos seres humanos, com base em um conjunto de respostas a uma série de perguntas interrelacionadas entre si. O replicante Leon (Brion James)Leon atira no policial ao ser interrogado sobre sua mãe. A missão de Deckard é exterminar quatro bonecos replicantes, um grupo integrado por Leon, Roy Batty (Rutger Hauer), Zhora (Joanna Cassidy) , e Pris (Daryl Hannah), dando inicio a uma verdadeira caçada e que se transforma numa espécie de jogo entre gato e rato de final imprevisível. A investigação começa na sede da Tyrell Corporation para que o ex-policial pudesse verificar o que funciona no teste com os novos protótipos mais avançados. Na empresa, ele descobre que o cientista Eldon Tyrell (Joe Turkel) tem uma bela assistente, Rachael (Sean Young) uma replicante sensual de ultima geração, com falsas memórias implantadas em seu cérebro, que acredita ser um ser humano. Ela é submetida a um teste demorado, e neste tempo os replicantes fugitivos iniciam sua busca por Tyrell para forçá-lo a prolongar suas vidas com prazo de validade curto e prestes a se esgotar. A caçada envolve sequências violentas e movimentadas. Deckard encontra uma foto de Zhora e uma escama de cobra sintética, no quarto de hotel onde Leon se hospedou e a localiza clube de strip-tease, onde a replicante trabalha. Deckard mata Zhora e em seguida é informado por Bryant que também precisa apagar Rachael, que replicante que desapareceu da Tyrell Corporation e cujo criador a considerava mais humana que os humanos. Na sua caçada Deckard percebe a presença Rachael numa multidão, mas acaba atacado por Leon, mas replicante o salva matando ao agressor, usando a pistola que Deckard deixou cair durante a briga com o boneco. No apartamento de Sebastian, Roy diz a Pris que os outros teplicantes foram eliminados. O dois, julgando-se entre amigos, Sebastian revela aos replicantes que sofre uma doença degenerativa que provoca o envelhecimento prematuro das suas células, encurtando o seu ciclo de vida e apressando a sua morte. Sebastian leva Roy até o apartamento de Tyrell, onde o replicante pede a prorrogação do seu ciclo vital, uma missão considerada impossível para o seu seu criador, que teme o risco de mutações genéticas num novo processo rejuvenescedor. Isso provoca a ira da criatura contra o criador e Roy o mata depois de beijá-lo, dizendo que ele fez o melhor que pode fazer. O replicante também mata Sebastian e tem o confronto final com Deckart, que havia suprimido Pris. Roy que considera viver com medo como uma grande experiência de vida, quebra os dedos do ex-policial que voltou à ativa e o persegue quando Deckart, com os dedos da mão direita quebrados tenta escapar saltando para o telhado do prédio ao lado do de Sebastian e acaba suspenso entre os edifícios. O surpreendente é que Roy fez o salto com facilidade, e ao invés de matar o antagonista, o salva lembrando antes que em sua curta existência fez coisas que os seres humanos nunca viram ou imaginaram. Ele começa a morrer lembrando que suas memórias serão perdidas como lágrimas na chuva e querendo a resposta para saber quem é e para onde vai, uma coisa também típica dos seres humanos. Em seguida, Deckart foge com Rachael e sente que estão sendo seguidos porque encontra o origami de um unicórnio marca registrada da onipresença de Gadd. Mas neste caso, o futuro dos dois fugitivos como o nosso, a Deus pertence e o filme teve continuidade elogiada pela critica. (Kleber Torres) FICHA TÉCNICA: Titulo: Blade Runner Diretor : Ridley Scott Roteiro: Hampton Farcher. David Weeb Prople Elenco : Harrison Ford (Rick Deckard), Rutger Hauer (Roy Batty), Sean Young (Racheal), Eduard James Olmos (Gaff), M. Emmet Walsh (Capitão Bryant) Darril Hannah (Pris), William Sanderson (J.F.Sebastian), Brian James (Leon) Música : Vangelis Fotografia : Jordan Cronenweth Ano : 1982 1 hora e 47 minutos

sábado, 30 de dezembro de 2017

Metróplis: os conflitos e antagonismos no reino de Moloch


“O mediador entre a cabeça e a mão deve ser o coração” esta frase define a essência de Metrópolis, filme de ficção científica considerado um dos marcos do expressionismo alemão, dirigido por Fritz Lang, em 1926, que nos revela um mundo distópico e contraditório. O filme é uma obra-prima e continua atual na sua temática e em função da crescente agudização da relação entre ricos e pobres em decorrência da ampliação da concentração de renda na mão das classes mais abastadas em escala global, o que preocupa aos economistas e lideranças políticas dos nossos dias. O roteiro tem como base um romance de Thea von Harbou, e foi escrito por ela a quatro mãos numa parceria com o próprio Fritz Lang. Tudo começa em 2026, ou seja, 100 anos após a produção do filme, quando industriais e empresários ricos governam a futurística Metrópolis, uma cidade cosmopolita formada por uma série de torres, bibliotecas e outros equipamentos, enquanto os trabalhadores vivem muito abaixo da terra numa cidade subterrânea. Os operários trabalham para Moloch - uma referência metafórica a um demônio - operando as máquinas que asseguram o poder da burguesia sobre as classes inferiores mantendo um ciclo histórico de acumulação de capital em mãos de uma elite econômica, garantindo a concentração de renda para uma minoria e alimentando a contradição entre ricos e pobres. O filme foi produzido dez anos após a revolução russa e talvez por isso reflete de forma ficcional à questão da luta de classes, mostrando que cada homem reflete o ideal da sua classe e que entre eles não haveria diálogo possível. Metrópolis é controlada pelo magnata Joh Fredersen, interpretado por Alfred Abel, cujo filho Freder (Gustav Fröhlich) leva uma vida alienada junto com os outros filhos de papai. A vida de Freder muda com chegada de uma jovem, Maria (Brigitte Helm, que também interpreta uma Andróide / Maschinenmensch) que conduziu um grupo de filhos de trabalhadores para ver o estilo de vida privilegiado dos ricos. Maria é uma contestadora do sistema e ao mesmo tempo uma líder da classe trabalhadora e dos marginalizados. Embora Maria e as crianças fossem afastados do universo dos ricos, Freder se apaixona por ela e submerge até a cidade dos trabalhadores, que marcham sempre de forma alienada e mecânica para o mundo subterrâneo, na tentativa de reencontrá-la. Na casa de máquinas, ele vê quando uma máquina explode, provocando várias lesões e mortes nos operários, depois que um dos seus operadores cai exausto e tem de ser substituído para evitar uma catástrofe. A sequencia dos operários faz referência a duas questões sociológicas apropriadas pelos marxistas: a da anomia, a desorganização do individuo pela falta de objetivos e regras, com a perda de identidade e referenciais, em consequência das intensas transformações ocorrentes no mundo e da alienação, um momento em que os homens perdem-se a si mesmos e a seu trabalho em função da remuneração e da mais valia. Freder conta ao pai o que viu e Fredersen se aborrece. Ele demite seu assistente Josaphat, porque este não o informou sobre o acidente na fábrica . Freder tenta ajudar a Josaphat e se complica ainda mais nas relações conturbadas com o pai autoritário e controlador, que passa a vigiá-lo e vê-lo como um antagonista. A coisa se complica quando Freder volta às casas de máquinas, onde encontra o trabalhador Georgy exausto pelos esforço pelo trabalho repetitivo e mecânico, uma cena similar a de Tempos Modernos, de Charles Chaplin, rodado dez anos depois. Ele acaba tomando o seu lugar quando o operário cai exausto pelo cansaço. Os dois trocam roupas e de funções, e Freder orienta ao operário para ir ao apartamento de Josaphat e esperar por ele, o que não chega a acontecer. No filme também aparece o cientista Rotwang, um inventor havia se apaixonado por Hel, mulher que o avandonou para se casar com Fredersen. Como ela morreu no nascimento do filho Freder, ele procurou recriá-la como um robô (Maschinenmensch) e um holograma, mas perde uma das mãos num acidente, o que aumenta o rancor do cientista que planeja uma vingança – um prato que se come frio - contra o empresário, mecenas e rival no amor, que controla Metrópolis de forma autoritária. Em que pese o cientista atuar no campo da tecnologia e da ciência, que às vezes se confunde com a magia, o filme mostra neste processo alusões á magia negra através de um pentagrama e outros símbolos místicos como o próprio Moloch. O filme também tem várias referências ao ocultismo e sobre ele existem estudos quanto à sua influência na cultura pop e sobre a utilização até de símbolos maçônicos. A trama ganha impulso quando Maria profetiza a chegada de um mediador que pode trazer melhores condições para os trabalhadores. Já uma mulher fala sobre lenda da torre de Babel, que serve de referência simbólica para as torres da metrópole. O jovem Freder acredita que poderia assumir o papel de mediador, dizendo que “você me chamou e eu aqui estou”, para depois da reunião declarar o seu amor por Maria, a quem promete encontrar no dia seguinte. Como vingança contra o filho e agora antagonista, Fredersen ordena Rotwang para dar semelhança de Maria ao robô que desenvolve em seu laboratório visando disseminar a dúvida sobre os acólitos de Freder entre os trabalhadores, mas não sabe do plano secreto do cientista para destruir o único elo que sobrou entre ele e Hel, que era o seu filho e herdeiro natural do seu patrimônio. O filme tem em certos momentos um desenrolar complexo e lento para o espectador menos informado. Ele mostra que Freder não encontra Maria no encontro da catedral, mas ouve um monge pregando sobre a Prostituta da Babilônia e um apocalipse que se aproxima. Maria foi sequestrada e acaba localizada por Freder na casa Rotwang onde estava sendo transformada na imagem holográfica do robô. Assim, a falsa Maria começa a desencadear o caos em Metrópolis, ampliando a dissidência e descrença entre os trabalhadores, exortando os a se levantar e destruir as máquinas. Quando Freder a acusa de não ser a verdadeira Maria, os trabalhadores o reconhecem como filho de Fredersen e tentam agredí-lo, e quando o operário Georgy tenta protegê-lo, acaba esfaqueado e morto. A crise provoca a falência dos sistemas de segurança na cidade dos trabalhadores e inundação do lugar onde estão os seus filhos. A falsa Maria, que é uma máquina, acaba desmascarada e Freder na escadaria da da catedral, assume o seu papel de mediador ligando a cabeça metafórica do pai Fredersen, com as mãos que são os trabalhadores, associando criativamente o capital e o trabalho como fatores de produção, fazendo cumprir o que seria uma relação utópica entre os dois instrumentos que têm sido antagonizada ao longo do tempo como o yin e o yang, o positivo e o negativo, gerando uma eterna contradição agravada nos nossos dias pelo fenômeno da globalização. Será que ela está embutida no filme de Fritz Lang ? É só ver para crer. (Kleber Torres) Ficha Técnica: Título - Metrópolis Direção - Fritz Lang Roteiro - Thea von Harbou Elenco - Alfred Abel, Gustav Fröhlich, Brigitte Helm, Rudolf Klein-Rogge Theodor Loos, Fritz Rasp,) Erwin Biswanger, Heinrich George, Hanns Leo Reich, Heinrich Gotho Gênero - Ficção científica Alemanha 1927 • pb • 148 min