terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Prorrogadas as inscrições para a Mostra de Filmes Baianos com Acessibilidade



 

Produtores audiovisuais terão mais tempo para inscrever seus filmes produzidos na Bahia, com recursos de acessibilidade, no projeto Editando Sonhos: Jornada Formativa em Acessibilidade AudiovisualO festival virtual de cinema apresentará filmes baianos acessíveis produzidos a partir de 2018, com quatro obras a serem premiadas no valor de R$ 500. Agora as inscrições podem ser feitas até o dia 21.02 (domingo), por meio de formulário eletrônico.  A exibição será de três filmes de curta-metragem e um de longa-metragem, seguidos de debate entre a equipe e o público nos dias 27.02 (sábado), das 18h às 21h30, e no dia 28.02 (domingo), das 16h às 19h30. A premiação será no último dia, 28.02, às 20h.

 

A mostra de cinema é uma das ações do Projeto Editando Sonhos, que tem como objetivo promover a popularização dos recursos de acessibilidade comunicacional: Legenda para Surdos e Ensurdecidos (LSE), Janela de Libras (JL) e Audiodescrição (AD). O evento é parte da programação desta iniciativa que propõe habilidades para desenvolvimento de produtos inclusivos, as quais agentes de diversas etapas da cadeia produtiva do audiovisual terão a oportunidade de se qualificar sobre tais recursos em suas produções.

 

Um júri técnico constituído por sete membros da sociedade civil e uma curadoria especial formada por três integrantes compõem a seleção dos filmes. Como curadores, estão José Araripe Jr e Bárbara Carneiro. José Araripe Jr é um artista multimídia, roteirista e diretor de conteúdos audiovisuais para TV, cinema e publicidade, com vasta atuação, tanto como diretor e roteirista quanto como diretor de arte em cinema. Recentemente foi gerente executivo de conteúdo e de projetos especiais da TV Brasil/RJ, diretor geral do IRDEB , diretor de conteúdo e programação da TVE Bahia e consultor criativo do Núcleo Griot de Animação.

 

Bárbara Carneiro, por sua vez, é autora do roteiro de Audiodescrição que ganhou como melhor roteiro por júri popular e terceiro lugar por júri técnico do Festival Ver Ouvindo, em Pernambuco em 2017. Já o audiodescritor José Carlos Rodrigues, tem experiência na produção de audiodescrição para filmes, espetáculos teatrais, peças comerciais e seminários e atualmente é membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/SC.


Além da Mostra de Filmes Baianos com Acessibilidade, direcionada para produções acessíveis já realizadas na Bahia, o projeto Editando Sonhos conta também com palestra, mesas-redondas, minicurso e oficinas com profissionais da Bahia e de outras partes do Brasil especializados no ramo. A live de abertura do projeto, dia 22.02, às 10h, traz o tema “Audiodescrição e cinema - Por uma tradução visual que respeite a linguagem da obra” e terá como palestrante Bell Machado, diretora na Quesst Consultoria em audiodescrição e acessibilidade cultural.

 

A programação do projeto segue de 22 a 28.02, gratuita e on-line, com emissão de certificados.  Ainda é possível se inscrever nas oficinas até dia 18.02, via formulário eletrônico. Já as mesas-redondas, que acontecem dias 24 e 25.02 não necessitam de inscrições e estão abertas ao público no canal Editando Sonhos, no Youtube. As sessões de cinema serão dias 27 e 28.02. 

 

Em função do impedimento visual combinado com a falta de acessibilidade, milhares de pessoas são excluídas da vida cultural e, consequentemente, da interação social, do enriquecimento intelectual e das emoções que a arte e a cultura proporcionam. É fundamental que artistas, produtores culturais, educadores, jornalistas e profissionais das mais diversas áreas percebam a importância da inclusão irrestrita em atividades culturais e se apropriem de processos básicos de produção de conteúdo acessível.

 

“Compreendendo a diversidade de pessoas e, entre estas, a diversidade de possibilidades de acesso ao que é produzido culturalmente, um projeto como o Editando Sonhos vem contribuir e muito, com um lugar que a cultura, as artes e a sociedade em geral ainda pouco conhecem. É o lugar de outras formas de comunicação, de acesso, de língua e linguagem, que neste caso são possíveis com os recursos de acessibilidade como Audiodescrição, Libras (em janela ou ao vivo) e Legenda Fechada para Surdos e Ensurdecidos”, defende Sandra Rosa Farias, uma das produtoras do projeto.

Farias destaca também que o Editando Sonhos através das oficinas de capacitação, formação e informação e da Mostra de recursos acessíveis traz, principalmente para a classe produtora e exibidora de arte e cultura, o que é e como é possível oferecer para todas as pessoas sua produção, com estes recursos, coerentes com a qualidade do que é a sua produção.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem cerca de 45 milhões de pessoas cegas no mundo. De acordo com o Censo do IBGE 2010, 45 milhões de brasileiros disseram ter algum tipo de deficiência, ou seja, quase 24% da população. Nesse cenário, a iniciativa assume o papel colaborador na luta de combate à exclusão cultural no estado da Bahia, uma vez que produtores audiovisuais em sua maioria estão alheios à inserção de acessibilidade em seus projetos, processos e produtos culturais.

 

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

 

SERVIÇO:

 

Projeto Editando Sonhos: Ação Formativa em Acessibilidade no Audiovisual

Mostra de filmes baianos com acessibilidade

Primeira sessão - dia: 27/02/2021 (sábado), das 18h às 21h30

Segunda sessão -  dia: 28/02/2021 (domingo), das 16h às 19h30.

Premiação de quatro filmes baianos com acessibilidade

Dia: - 28/02/2021, às 20h

Inscrições: Gratuita, até 15.02.2021 através do formulário: https://forms.gle/2fATxUHfPLpzgw3VA

Mais informações: https://linktr.ee/projetoeditandosonhos

https://projetoeditandoson.wixsite.com/editandosonhos

https://www.facebook.com/projetoeditandosonhos

projetoeditandosonhos@gmail.com

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

O círculo tecnológico do fim da privacidade



A questão do fim da privacidade em um mundo cada vez mais tecnologizado é o tema central do filme O Círculo, sobre uma organização dirigida por Eamon Bailey (Tom Hanks), um empresário sem escrúpulos e acusado de violar a Lei Antitruste, que limita o poder monopolístico em setores da economia. A empresa tem como  principal produto o SeeChange, uma pequena câmera digital que permite aos usuários compartilharem detalhes de suas vidas com o mundo e em tempo real, colocando a cheque a sua privacidade e a sua vida particular.

Tudo começa com Mae (Emma Watson), uma universitária com futuro promissor, que realiza o sonho de trabalhar naquela que é considerada maior empresa de tecnologia do mundo, O Círculo. Mas ela vê sua vida mudar completamente de ponta a cabeça ao ser  contratada pelo grupo econômico, o qual  passa a monitorar e documentar sua vida em tempo integral, sempre com cobranças crescentes e exigindo inclusive de sua maior participação em eventos noturnos e nos finais de semana.

Para a empresa, a participação dos colaboradores é importante para sua integração no grupo e maior motivação para o trabalho, melhorando o rendimento pessoal do profissional a ela vinculado. Mae também é convidada para uma avaliação médica com uma especialista em esclerose múltipla e que também gostaria de coletar dados sobre o seu pai, que estava doente. A jovem se envolve no projeto True You (você é verdade) bancado pela empresa, em que tudo é gravado, visto, transmitido e analisado, com isso cada passo e respiração da pessoa monitorada acaba armazenada pelo Círculo.

As coisas se complicam quando seu namorado é ameaçado de morte, mas Mae não deixa a empresa, que mantém um rígido sistema de vigilância com o argumento de que ”nós nos importamos com as pessoas que são importantes para nós”. Ela conclui que segredos são mentiras que tornam os crimes possíveis e promete levar uma câmera do SeeChange para onde fosse, com isso, em três semanas ganhou  milhões de seguidores e visibilidade na rede mundial de computadores se transformando numa celebridade, mas como o circulo vicioso, ele precisa ser inteiro, para isso o ideal seria colocar todas as informações da pessoa no sistema agregando até titulo de eleitor, carteira de motorista e registro civil.

A empresa no seu conceito de poder considerava que em função do seu suporte tecnológico,  o governo precisava mais dela, do que ela das atenções governamentais e em sua expansão 22 nações operavam eleições através do Círculo, que pelo sistema de soul search, também tem contribuições na área da saúde ou segurança, podendo localizar uma pessoa desaparecida ou fugida em 20 minutos através de um complexo sistema de reconhecimento facial. Um exemplo de eficiência, foi o caso de uma mulher na Inglaterra, que foi presa depois de matar os três filhos e que ao fugir da cadeia foi localizada em apenas 10 minutos e 21 segundos.

O que Mae não imaginava, no entanto, é que toda essa exposição teria um preço, não só para ela, mas também para todos ao seu redor. Assim, para tentar consertar o erro,  sai da casa dos pais e volta para o Circulo na tentativa de consertar o sistema a partir do seu bojo, atuando no contrafluxo  dentro de uma organização que investia continuamente na melhoria dos serviços, porque afinal, tudo é negócio e informação é poder,  o que pode dar lucro.

Alegando que não queria viver desconectada, Mae tenta o contragolpe contra o sistema ao propor uma conexão ininterrupta, que começasse desde a empresa, com a transparência das ações dos seus líderes, através da exposição de suas vidas e rotinas. O próprio Eamon Bailey descobre ao ficar exposto que, “estamos ferrados”, porque, não tinha  mais segredos e a privacidade acabou e lamenta tragicamente: “nós não vivemos mais na sombras e as luzes se apagam”, apontando que na hora de mudança, ela tem de ser imediata até porque o futuro não espera e o feitiço acaba virando, às vezes, contra o feiticeiro.(Kleber Torres)

 

Ficha técnica:

Título : O Círculo

Diretor : James Ponsoldt

Roteiro: James Ponsoldt e Dave Eggers

Elenco : Emma Watson, Tom Hanks, John Boyega, Katen Gila, Ellar Coltrane, Patton Oswalt e Glenne Headly

Cinematografista: Matthew Libalique

2017

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Imagem, + música e a linguagem absoluta do cinema


 

Sem necessidade de roteiro ou de palavras, o documentário Um homem com uma câmera (Tchelovek s Kinoapparatom) mostra o dia a dia de três cidades soviéticas: Moscou e Kiev, na Ucrânia e Riga, na Estônia, em 1929. Nele,  o cinegrafista Michail Kaufman revela a rotina urbana de modo impessoal, desde o amanhecer ainda com as ruas vazias e que vão gradualmente se enchendo de pessoas e veículos, indo até o anoitecer com cenas de trabalho, atividades e lazer cotidianos.

 

O próprio diretor Dziga Vertov, autor e executor do projeto, escreveu no seu diário e informa na apresentação do documentário, que o  filme apresenta uma experiência revolucionária na comunicação cinemática de eventos visíveis, sem a ajuda de intertítulos, sem roteiro ou um cenários específicos,  prescindindo de atores ou palavras. Para ele, esse trabalho de cunho experimental objetivava criar uma linguagem absoluta verdadeiramente internacional do cinema baseada na sua total separação da linguagem do teatro e da literatura.

 

O filme é interessante pela sua importância histórica e trabalha de forma ampla a linguagem do cinema casando o movimento de câmeras bem como das imagens das pessoas ou máquinas em movimento, com  a música da  The Cinematic Orchestra, uma companhia inglesa que produziu  uma trilha sonora para o filme e participou da exibição de Um homem com uma Câmera em diversos festivais.

 

Cabe salientar que em 1996, o compositor norueguês Geir Jenssen, o  Biosphere, reescreveu a trilha sonora para o filme,  seguindo  as instruções  do diretor Dziga Vertov para que o filme fosse acompanhado por um pianista. O trabalho  foi interrompido e completado anos depois por Per Martinsen, conhecido como Mental Overdrive. O filme foi recuperado em 2014 e foi exibido no final de 2020 no Telecine Cult.

 

A ideia de Vertov era radical e revolucionária: ele se propôs a  filmar e editar a realidade, mostrando para isso um dia numa  metrópole, sem diálogos e nem a edição de imagens captadas por um cinegrafista. O material foi  reunido em seis rolos e a música com o seu ritmo faz o contraponto com as imagens sequenciais e aleatórias convivendo com sinais de trânsito e fusões propositais.

 

Um homem com uma câmera  começa com um efeito especial mostrando uma câmera  e o irmão do diretor, Michail Kaufman, com o seu equipamento de filmagem sobre ela. Ele  é o único personagem mostrado ao longo do documentário  filmando a vida em  cidades de grande porte, mas tudo começa num cinema vazio e que vai se enchendo gradualmente de espectadores, em seguida,  a orquestra começa a tocar para exibição de um filme sobre o filme em exibição numa experiência metalinguística.

 

As sequências  revelam imagens feitas ainda durante a madrugada, com as ruas e avenidas vazias de cidades  adormecidas e, gradualmente, elas vão ganhando vida e movimento, com o despertar dos moradores e o começo  das suas atividades, com a abertura de lojas ou mostrando  um berçário. As cenas se sucedem com a circulação de bondes e trens, além de máquinas e engrenagens ligadas nas indústrias, que se somam a equipamentos fotográficos, telefones, lâmpadas acesas, pneus e carros em movimento, com muita gente nas ruas e em diversos tipo de atividades.

 

No filme não aparecem  autoridades e nem celebridades, apenas  pessoas comuns mostrando a sua realidade cotidiana revelada em imagens, às vezes de gente anônima  numa rua distante, nos interiores de edifícios e em casas, e sempre com um homem com a sua câmera saindo para as ruas, onde filma pombos, carros e seus passageiros, trilhos de estrada de ferro e de bondes cujas imagens se fundem de forma  criativa.

 

Numa outra sequência, uma mulher acorda e de forma sensual se veste lentamente. Também mendigos são  filmados nas ruas, onde aparecem flores, janelas fechadas e até aviões cortando o espaço, terminando muitas vezes com um close na lente da câmera, a qual também funciona como um olho do cineasta e até mesmo do espectador diante da sequência abrupta de imagens que se sucedem.

 

Em geral, as cidades, as pessoas e os objetos são  observados à distância, em planos gerais ou em closes,  sem que diretor ou o câmera que circula  entre elas interfiram  na rotina, sem nenhuma  atuação, mas  revelando ação pura. No documentário máquina se torna também uma personagem da obra e se insere na rotina das cidades e das pessoas, em contraposição como a mulher que abre a janela descortinando a paisagem urbana e uma outra que pedala uma bicicleta.

 

O filme também aparece como instrumento  de propaganda ideológica  do regime socialista durante o período stalinista, mostrando  as facetas urbanização acelerada, o avanço da industrialização e da tecnologia, sugerindo  crescimento econômico e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, no documentário há espaço para mostrar os dramas humanos, com trabalhadores em condições adversas suando nas fábricas ou nas minas, viajando apinhados no transporte, além do socorro à vítimas de acidentes e a mobilização de bombeiros num combate a incêndios.

 

Tudo funciona no filme  como um grande painel e um grande quebra cabeças envolvendo  pessoas que nascem, crescem e morrem, casam e divorciam-se, trabalham, sorriem e choram. Além de servir como uma espécie de espelho da sociedade urbanizada, o documentário apresenta em seu bojo, numa espécie processo de edição paralela, não apenas a realidade em preto e branco captada pelas câmeras,  mas mostrando uma espécie making of, de como as imagens foram registradas nas mais diversas circunstâncias e mesmo na revelação do filme e da sua montagem numa mesa de edição, com escolha dos frames e das sequências de cenas intercaladas.

  

Em essência , Um homem com uma câmera, que foi incluído num livro sobre os 1001 filmes que se deve assistir antes de morrer, atingiu o seu objetivo ao potencializar na tela a força da linguagem cinematográfica e que foi adaptada à dinâmica dos telejornais de nossos dias, os quais não conseguiram prescindir das palavras dos entrevistados ou dos locutores, embora cada sequencia mostrada valha por milhares de palavras, valendo por isso como uma aula sobre cinema, jornalismo e servindo de referência para outros documentários (Kleber Torres).


Ficha técnica:

Título – Um homem com uma câmera (Tchelovek s kinoapparatom)

Direção : Dziga Vertov

Cinematografista: Mikhail Kaufman     

Editor assistente : Elizaveth Svilova

Ano:  1929

Preto & Branco


domingo, 17 de janeiro de 2021

TVI lança amanhã (18) “O Síndico” uma série filmada em Itabuna



 

A TVI Play lança amanhã (18), às 22 horas, a série “O Síndico”, uma comédia em cinco capítulos sobre a convivência é um condomínio  num  prédio em Itabuna, com direção de Betse de Paula e um elenco que conta com o global Carlos Betão, ao lado de Jailton Alves, Raquel Rocha, Tamires Santana, e Sérgio Ramos. O cenário é o condomínio da Torre da Primavera, que reúne três edifícios de grande portenha zona Norte da cidade.

 

A série conta a história de um ator itabunense que  acidentalmente se torna síndico e fica preso na disputa entre moradores. “O Síndico” é a primeira série de ficção filmada integralmente Itabuna, além do mais, todo o elenco é baiano formado por atores e não atores da região Sul da Bahia e dirigido pela carioca Beth Paula, que se uniu à equipe metade baiana e metade carioca para construir esta comédia marcada pelo humor e irreverência.

 

Jailton Alves interpreta Quim Maia e pode reunir suas experiências pessoais como síndico do prédio em que residia  para construir o protagonista da série, que  tem em termos de referência que remonta aos tempos do rádio com o  “Prédio Balança Mas Não Cai”, que se tornou um clássico programa de humor e que alcançou a televisão.

 

No cinema também são referências para “O Síndico”, o clássico Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock, que também explora por via do suspense o tema da vizinhança. Mais recentemente, no cinema  nacional  Edifício Master e o Som ao Redor trataram, do tema e na TV, a série A Grande Família também fala de convivência.

 

O Sindico tem direção de Betse de Paula, que começou no cinema em 1985, como assistente de produção de Sérgio Resende e construiu uma sólida carreira ao longo dos últimos 30 anos com filmes premiados entre os quais estão Encantadeiras (2020), Vozes da Floresta (2019), Desarquivando Alice Gonzaga(2017) e Dissecando Antonieta(2015).

 

A série foi produzida pela Floresta Filmes em parceria com a Aurora Filmes, com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual e da Agencia Nacional de Cinema (Ancine), além do apoio da prefeitura de Itabuna, através da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, durante a gestão de Daniel Leão.

 

Ficha Técnica

 

Título : O Sindico

Direção : Betse de Paula

Roteiro: Clara Mello, Betse de Paula e Sérgio Ramos

Elenco :      Jailton Alves, Carlos Betão, Don Diego, Vinícius Patrício, Raquel Rocha, Ruth Felisone, Susana Moellen, Jiovana Freire, Tamires Santana, Eva Lima,  Pryscila Coutinho, Sérgio Ramos, Rogério Tomas e Lia Azevedo

sábado, 9 de janeiro de 2021

O outra morte matada de João Heleno dos Britos



 40 anos depois de morte de John Lennon,  um dos integrantes dos Beatles, num atentado ocorrido no edifício Dakota, em 8 de dezembro de 1980, na cidade de Nova York, a tragédia ganha uma releitura tupiniquim com o curta metragem João Heleno dos Britos, como uma saga 100% nordestina, underground e envolvendo uma narrativa criativa com um jeitinho bem brasileiro, voando por 20 minutos nas asas agrestes  da ficção.

O  João  Heleno do faroeste sertanejo  começa com uma disputa de poder entre os Britos e Arapuã. O filme inicia com um tiroteio no agreste, onde seu Brito jovem (Giovani Gomes)  enfrenta um grupo da família dos Arapuã, num confronto mortal. Quase sem munição e  apenas com  uma bala no revólver,  ele dá o tiro derradeiro e a bala se choca  com o projetil de um pistoleiro rival provocando um verdadeiro panavuê.

As balas  explodem e, num milagre só possível no sertão e no mundo encantado da invenção, os  fragmentos se dispersam, matam logos dois pistoleiros,  explodem  um urubu azarado, que voava em local e hora errados, e liquida  aos demais jagunços encerrando a primeira parte de uma história manchada de sangue, se transformando numa lenda contada de boca a boca, como uma história do c* ou como uma robusta colhuda.  

Doente e enfraquecido, o patriarca da família dos Britos (Sóstenes Lennon Fonseca),   chama os dois últimos herdeiros, inclusive  a João Heleno dos Britos, recomendando para  que vocês “não deixem, um condenado daqueles (os Arapuãs)  encostarem um dedo e nem pensar uma cruzeta contra os Britos”, exalando seu último suspiro.

Com a  morte do velho Brito, começa uma série de confrontos que se transformam num rio de sangue, o qual esguicha em abundância dos feridos até a morte. Neste ínterim e no meio da disputa mortal,  João  Heleno dos Brito conhece e se apaixona  por uma  japonesa Ono Yoka (Harumi Harada), cujo nome se parece com o de Yoko Ono a verdadeira mulher do Beatle morto na vida real.

Apaixonados, os dois acabam se casando, tendo filhos e João Heleno  dispensa os jagunços a seu serviço e propõe o fim da disputa  entre as famílias rivais. A decisão repercute nos jornais da terra que trazem nas manchetes de primeira página informações sobre 10 anos sem uma morte em Caruaru e mostrando uma cidade vivendo em paz.

A suspensão do acordo  termina de forma abrupta, quando o locutor de uma emissora local volta do lanche comendo o sanduiche e ao invés de ler e comentar as manchetes dos jornais locais, anuncia num furo de reportagem e,  como na história do ídolo  do rock John Lennon, ele informa que o João Heleno dos Brito, foi  morto a tiros de revólver 38, por um pistoleiro. A notícia repercute e uma mulher comenta: “tira os meninos da rua, que mataram João Heleno dos Brito” e num átimo as ruas se esvaziam, com gente correndo para suas casas.

No fim, tudo acaba bem, num campo verdejante com pessoas ouvindo músicas de cítara e instrumentos de percussão indianos e o João Heleno beatificado num outro plano astral. Afinal o que é realidade e o que não é quando se fala do sertão e de coisas como a chegada de Lampião no céu ou no inferno, mas isto o leitor é que escolhe.(Kleber Torres)

 

Ficha Técnica :

Título :João  Heleno dos Britos

Duireção e Roteiro : Neco Tabosa

Elenco : Tagore  Suassuna, Harumi Harada, Daniel Araújo, Giovanni Gomes e Sóstenes Lennon Fonseca

Cinematogafista : Roberto Yuri

Brasil

20 minutos

domingo, 20 de dezembro de 2020

Pode a tecnologia garantir a continuidade da vida após a morte?

 



 

O homem sempre sonhou com a vida após a morte e a eternidade, mas pode a tecnologia garantir a continuidade da vida após a morte? Em 2013, o milionário russo Dmitri Itskov promoveu um simpósio internacional com neurocientistas, engenheiros, médicos e especialistas de diversas áreas do conhecimento, inclusive a construção de robôs, que foram ouvidos sobre a possibilidade de transferência de memórias e informações cérebro humano para um computador. Ele sonhava nesta interface, com a possibilidade de uma  vida eterna, tendo como suporte os recursos oferecidos pelo avanço das ciências e da tecnologia.

 Há quem considere isso perda de tempo, mas o assunto foi tema de um programa, O Imortalista, documentário exibido recentemente no  Realidade CNN. O empresário conta que na infância queria ser um cosmonauta, mas acabou se transformando  num magnata da internet e gastou parte da fortuna acumulada financiando o projeto cibernético para a imortalidade, uma ideia cujo custo não foi revelado.

Para Dmitri Itskov a imortalidade das lembranças é inútil para o indivíduo, pois a verdadeira imortalidade está na extensão de sua jornada nesta vida: “todo o resto é inútil para alguém cujo mundo está morrendo com ele”. Para o empresário russo, a verdadeira tecnologia da imortalidade deveria gerar algo para evitar morte garantindo a perpetuidade do ser humano.

A princípio, a ideia seria evitar o envelhecimento, o que passa pela proposta de reconstruir o corpo, usando peças de reposição e, depois, pelo controle do corpo  robótico, usar o poder da mente incorporando neste conjunto as características da personalidade do indivíduo.

Em Osaka, no Japão, o cientista Hiroshi Ishiguro, para quem o antológico filme Blade Runner é um Idílio, a ciência e a tecnologia abrem a cada dia novos horizontes para o homem. Ele construiu inicialmente o robô B, um protótipo montado com câmeras, microfones e sensores, que cumpria tarefas básica.  Agora, ele se dedica à construção de um  androide, Érica, que dialoga e interage com humanos, com apoio dos recursos da inteligência artificial. 

O sonho de Ishiguro é poder um falar um dia  sobre a alma de um androide, um projeto que deve mudar o conceito da morte  e a própria ideia do futuro com a construção de androides com memória e informações de pessoas reais. A ideia central do projeto seria a réplica robótica de seres humanos.

O pesquisador Rafael Yuste defende um projeto para mapear o cérebro humano, uma ideia que não é nova; Ele cita o primeiro neurocientista, Santiago Ramon Cajal, que estudou no século 19 os neurônios conectados em circuitos complexos.  Hoje, já se sabe que o cérebro humano reúne 86 bilhões de neurônios integrados num sistema de células interconexas e de alta complexidade, que funciona como uma espécie de computador.

A reportagem cita o caso de Erick Sarto, que levou um tiro na juventude e ficou tetraplégico total. Na tentativa de recuperar os movimentos, mesmo de forma mecânica, ele participa de estudos para ligar o seu cérebro a um braço robótico  conectado a um computador. 

O projeto prevê a criação de uma janela para o cérebro de sarto, a partir de dois conjuntos com 96 elétrodos e 4 milímetros cada um. Segundo o cientista Charles L. Liu pensamentos e cores são usados no treinamento para ativar os neurônios e calibrar os computadores  para controle de  tarefas.  Neste esforço Eric Sarto já conseguiu tomar inclusive uma garrafa de cerveja com a mente ativando o braço robótico através de cores e pensamentos.

Outro pesquisador, Richard Anderson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia pesquisa a  interface do computador com o cérebro humano, mas a meta final dos estudos tem sido com relação à possibilidade da  transferência do pensamento e  memórias de uma pessoa para um computador.

Como as informações podem ser copiadas e armazenadas em computadores, o cientista  Randal Koene considera que se considerado tudo isso, as perspectivas são animadoras e o céu é o limite, tudo a partir de um conjunto de ações que levem em conta a estrutura do cérebro, suas funções como algo que entra e sai – inputs e outputs- , ao lado de dados funcionais e estruturais, o que pode permitir no final das contas desenvolver um modelo matemático e a criação de chips de inteligência artificial para implementação do roteiro.

Na pesquisa das borboletas da alma uma metáfora sugerida pelo pai da neurociência Santiago Ramon Cajal para um mergulho nos pontos recônditos do cérebro humano, será  possível e viável  fazer o upload de uma mente no computador, uma tarefa impossível nos dias e com a tecnologia atual. Hoje, o trabalho de mapeamento levaria dois anos para um estudo completo do cérebro de uma mosca.

Kenneth Hayworth acredita que é possível reunir informações que podem ser codificadas num sistema binário, compatibilizando estrutura e função. Ele cita a iniciativa Brain, lançada por Obama, com um custo de US$ 3 bilhões para mapeamento do cérebro humano em dez anos, visando  ajudar a descobrir tratamentos para curar ou prevenir doenças cerebrais atualmente incuráveis, além do Alzheimer, o Parkinson e a epilepsia, assim como enfrentar traumatismos crânio-encefálicos e patologias psiquiátricas.

Miguel Nicolelis, da Universidade de Duke. que desenvolve exoesqueletos computadorizados para pacientes com dificuldades de locomoção, não é tão otimista com relação à transferência  do cérebro humano para um computador. Ele rejeita a ideia de que o cérebro humano funcione como uma CPU, o que considera uma metáfora num tempo em que os computadores ganharam muito poder e são usados cada vez mais nas diversas áreas da atividade humana.

Para ele, o cérebro humano é mais complexo e está em permanente mudança, o seu funcionamento seria comparado também como metáfora, com uma orquestra sinfônica que toca sincronizada, com peças independentes entre si,o que é inteiramente diferente das peças eletrônicas.

A ideia dos andróides nos remete ao clássico filme Westworld – ninguém tem alma (1973), de Michael Crichton, onde em que os robôs em pane acabam entrando em confronto com os seres humanos,  colocando a criatura contra o seu criador e olhe que a lei da robótica elaborada por Isaac Assimov  prevê, no seu primeiro parágrafo, que nenhum robô pode ferir ou permitir que um ser humano sofra algum mal, o problema é que a lei pode ser desrespeitada e nós temos muitos exemplos no nosso dia a dia. (Kleber Torres)

domingo, 13 de dezembro de 2020

Documentário mostra uma vida lyncheana dedicada à arte sem concessões

 


 

 

O documentário David Lynch : uma vida de artista, dirigido por Jon Nguyen narra de forma intimista a trajetória  do cineasta David Lynch,  desde sua infância na pequena cidade de Missoula, em Montana até as ruas escuras da Filadélfia, considerada uma espécie de Nova York proletária, onde estudou na Academia de Belas Artes da Pensilvânia.

 

Lynch narra  os eventos que contribuíram para a sua formação, assim como para o seu estilo cinematográfico considerado surrealista, misturando imagens e sonhos, com ingredientes de violência explicita no drama das suas telas e o projeto cinematográfico iniciado com o curta metragem The Alphabet, marcado por uma experiência onírica e terror.

 

Ele conta que até a nona série era um aluno que não gostava de estudar preferindo festas e encontros com amigos. A coisa muda quando descobre o universo das artes plásticas através de um amigo cujo pai era artista. A 10ª série marcou, segundo Lynch, a grande virada na sua vida, quando tomou gosto pelos estudos e passou a investir em artes plásticas alugando um estúdio pequeno em conjunto com Jack Fisk.

 

Depois de formado, ele se muda para Boston, onde frequentou o curso de artes plásticas, que abandonou para investir num período de aperfeiçoamento em Salzburgo, na Áustria, onde viveu por três anos. Na volta passa a cursar a Academia de Belas Artes da Pensilvânia.

 

Ele conta que na Filkadelfia havia um medo espesso no ar e período em que desenvolveu a ideia da pintura em movimento, o que marca o início da sua ligação com o cinema. Em 1967, ele se muda para Aspen, casa com Peggy, com que tem uma filha Jennifer e começa a trabalhar com multitelas, com 60% do espaço marcado pelo movimento. Lynch tem na sua vida o histórico de outros três casamentos que não são relatados no documentário.

 

A partir daí ele se inscreve para uma bolsa no American Film Institute, concorrendo com cineastas conhecidos.  No AFI ele produz e dirige The Grandmother e acaba indicado para estágio no Center of Advanced Film Studiesn  que lhe abriu as portas para a Greystone Mansion, onde iniciou o projeto para o seu primeiro filme longa metragem The eraserhead (1977), um filme de terror surrealista e que se tornou uma espécie de cult-movie.

 

O documentário David Lynch : uma vida de artista não fala da sua trajetória no cinema com o filme de ficção científica Dune (1984), que foi um fracasso de crítica e de bilheteria, mas que foi seguido de Veludo Azul (Blue Velvet) um filme noir também considerado um cult movie e que lhe valeu uma indicação para o Oscar, prêmio que um dia pode receber pelo conjunto da sua obra.

 

David Lynch também criou uma série de televisão Twin Peaks e tem outros filmes no seu currículo como Wild at heart (1990) e The Straight Story, mas sem deixar num segundo plano as artes plásticas e a poesia nela implícita em quadros que unem imagens, movimento e palavras que lhes dão um sentido e uma nova forma conceitual.

 

 

Ficha técnica:                     

Título : David Lynch : The Art Life (David Lynch : Uma vida de artista)

Diretor : Jon Nguyen

Roteiro : Matt Lutz

Cinematografista : Jason Scheuneman

Música : Jonatan Bengta

2016

100 minutos

Inglês

Colorido