quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Quando e como o goleiro tem medo diante do pênalti






Considerado uma metáfora do esporte e da própria  vida, o filme O Medo do Goleiro diante do Pênalti (Die Angst des Tormanns beim Elfmeter), de 1972, foi o primeiro longa-metragem do alemão Wim Wenders, que se notabilizou em filmes como Paris, Texas e O Sal da Terra, e assinou o roteiro a partir de um livro homônimo do escritor austríaco Peter Handke. Tudo tem como foco a história do goleiro Joseph Bloch interpretado por Arthur Brauss, que, se revolta com um juiz depois um pênalti durante um jogo de futebol, acaba expulso e depois, acaba se envolvendo num assassinato de uma mulher.
O filme sem cortes e de baixo custo, que foi remasterizado com uma revisão da trilha sonora, tem desdobramentos lentos e diálogos existenciais mesclado com muitas comparações entre o futebol, os sonhos que não têm sentido  e a vida dos personagens. Depois de expulso, o goleiro deixa o campo, leva um jornal e começa a vagar pela cidade.
Ele chega à cidade, aluga um quarto de hotel,  vai ao cinema, e depois do filme não consegue completar uma chamada telefônica, porque o telefone estava como defeito. Bloch voltar sozinho para o hotel barato onde está hospedado e vai dormir.
Praticamente repetindo o roteiro do dia anterior, ele volta ao cinema, pede uma poltrona espaçosa e acaba  marcando um encontro com a moça da bilheteria do cinema interpretada por Edda Köchl, com quem dorme e depois de tomar banho e café, a mata sem motivo aparente, num apartamento próximo ao aeroporto.
Depois do crime, ele foge de ônibus, se envolve numa série de incidentes e sempre procura acompanhar o caso do assassinato através da leitura de jornais.Numa cidade pequena, ele se aproxima de Glória (Erika Pluhar), que foi no passado sua companheira e que hoje, tem um restaurante e vive em companhia da filha de quatro anos.
Bloch ali se envolve em brigas, é assaltado,  e tem um comportamento errático, por fim, se depara, ao assistir um jogo de futebol, com um delegado que investiga o caso do homicídio em que está envolvido, o qual, segundo os jornais, já estaria elucidado. Como tudo é metafórico, faltou o árbitro encerrar a partida, que pode ser um retrato colorido ou em preto e branco da própria vida.(Kleber Torres)


Ficha Técnica :
Titulo: O Medo do Goleiro diante do Penalty(
Direção : Win Wenders
Roteiro: Wim Wenders e Peter Handke

Música : Jürgen Knieper

Elenco: Arthur Brauss, Bert Fortell,  Edda Köchl, Erika Pluhar e Ernst Meister
Alemanha

domingo, 20 de outubro de 2019

O pesadelo da ressurreição do fascismo




O velho Karl Marx considerava que a história se repete, a primeira vez como tragédia e na segunda, como farsa. Mas o filme Estou de Volta (Sono Tornato), uma produção italiana de 2018, dirigida por Luca Miniero, nocauteia esta tese e mostra concretamente,  que ela pode se repetir como comédia até de humor negro, como a da ideia de ressurreição do fascismo que ainda tem os seus adoradores e viúvas.
Tudo começa  após 70 anos da morte de Benito Amilcare  Andrea Mussolini, interpretado por Massimo Popolizio, que  ressurge em Roma, depois de passar através  de um portal que interligava magicamente o mundo dos vivos e dos mortos. O Duce, que se considerava o aeronauta do pensamento –os filósofos que se cuidem -, fica confuso e horrorizado ao ver a decadência do país que governou e se propõe a viajar pela Itália de hoje, onde nada funciona, nem mesmo os correios e nem os hospitais.
Mussolini também critica a miscigenação racial, a migração dos africanos e de gente de outros países europeus, o que o faz acreditar na necessidade de uma revolução e para isto, propõe  como lema para as mudanças: “vamos salvar a Itália juntos’. Também questiona os valores democráticos por considerar que o voto  não tem  nenhuma utilidade se o eleitor não sabe o que fazem de concreto os políticos eleitos.
Um repórter acredita que o misterioso personagem é um sósia do ex-ditador fascista e mesmo assim, o ajuda a começar na televisão como um comediante, que fazia questão de afirmar que era o verdadeiro Mussolini e que suas práticas e propostas  continuavam iguais às do tempo do fascismo.
A produtora Katia Bellini (Stefania Rocca) se entusiasma e pensa num show para este novo ator, o Mussolini Show e cria até uma conta de e-mail para o novo astro, que ganha pontos crescentes de audiência. Teatral, Mussolini faz caras e bocas na telinha, onde impõe silêncio e pausas planejadas, lembrando que: “todos vocês têm medo do silêncio. Se um rato entra em sua casa, você não chama um humorista, mas um dedetizador. Quando falo isto, vocês querem rir, por isso que em 1940 nós só produzíamos comédias. Depois de 70 anos, eu volto aqui e descubro que vocês continuam um povo analfabeto, conversando nas redes de sociais. Você estão sós, invejosos e cheios de rancor.”
Mussolini  faz duras criticas à sociedade de consumo, considerando que,  “estamos perdendo a batalha antes de começarmos a luta contra a pobreza entre jovens e idosos. Nós precisamos mais do que o whatsapp para nos dizer que estamos afundando .” O programa faz sucesso e consegue 33 pontos de audiência, alcançando 60% entre os jovens, o que leva Mussolini a todos os programas da emissora.
Dizendo que encontrou a Itália transformada numa Rodésia Setentrional, num Congo ou numa Nigéria, ele fala entre os planos para o futuro e defende a construção de um império: “voltei para ajustar o tiro! Pou!!!”. A tarefa para ele, é reconquistar a Itália e a memória nacional, desafiando os radicais de direita condescendentes com os guetos: “os políticos de direita têm medo de ser chamados direitistas e os de esquerda, de dizer coisas verdadeiras”, complementou.
Na sua metralhadora giratória, Mussolini se recusou até a falar do globalizado futebol italiano, onde os dirigentes são de Pequim, a bola indiana e os jogadores africanos. Quanto à política, ele sugere aos governantes que primeiro escutem os desejos do povo e depois façam obras e ações que atendam às suas expectativas.
A popularidade do fascista ressuscitado começa a ser questionada quando  ele é mostrado matando  um cão a tiros em um vídeo. Mussolini se defende dizendo que atirou, porque foi atacado e mordido pelo animal, mas não escapa uma agressão de defensores mascarados  dos animais. Outro golpe fatal na desconstrução deste personagem, foi Ariella Reggio (Nonna Lea), uma idosa com lapsos de memória, mas que reconheceu como o ditador assassino, que provocou a morte de seus pais, expulsando-o de sua casa.
Tudo termina quando o Duce, depois de um atentado, acaba reabilitado pelos italianos após ser perdoado pela dona do cachorro que matou, o que abre a porta para que avance com o seu carisma pelos caminhos, nem sempre retilíneos e para uma indefectível escalada ao poder, que às vezes corrompe absolutamente e por nos levar a muitos descaminhos. (Kleber Torres)

Ficha técnica

Título : Estou de volta (Sono tornato)
Direção: Luca Miniero
Roteiro: Luca Miniero e Nicola Guaglianone
Elenco: Massimo Popolizio , Ariella Reggio, Gioele Dix (Daniele Leonardi), Guglielmo Favilla (diretor de TV), Luca Avagliano (Gianni), Massimo De Lorenzo (Giorgio), Stefania Rocca (Katia Bellini), Frank Matano, Elenora Belcamino e Alessandro Cattelan
lançamento: 1 de fevereiro de 2018
Itália

sábado, 19 de outubro de 2019

O Favorito perde no jogo político e ganha no amor





Há um adágio brasileiro que considera a política como as nuvens, mudando constantemente em função do vento e do tempo, o que se aplica ao caso de Gary Hart, interpretado por  Hugh Jackman, em O Favorito (The Front Runner). O filme é  um drama biográfico sobre um carismático político do Colorado, por onde foi senador por dez anos e se torna o grande candidato do partido Democrata, liderando com folga  a disputa das eleições presidenciais de 1988.
O filme dirigido por Jason Reitman, de Obrigado por fumar, Juno, Tully e Amor em escalas, que assina o roteiro juntamente com Matt Bai e Jay Carson, conta a história real do mais jovem candidato, que aos 46 anos tenta chegar  à presidência dos Estados Unidos.  
A maré começa a mudar quando eclode o escândalo de seu envolvimento com uma jovem modelo, o que põe em risco não apenas a sua candidatura, mas o destino de todos ao seu redor, inclusive a mulher  Lee Hart (Vera Farmiga) e a  filha Andrea (Keitlyn Dever) .
Ao ser questionado por jornalistas, Hart sugere: “é só me seguir, fiquem na minha cola, vocês ficarão entediados”. Os repórteres aceitam o desafio, o seguem, e descobrem o seu relacionamento com uma jovem modelo Kansas, Donna Rice (Sara Pakston). A princípio, ele admite que ela não faz parte da sua campanha.
Mas a investigação jornalística não cessa, e numa entrevista sobre sucessão presidencial, ao invés de tentar focar o  debate sobre economia, política externa e outros temas recorrentes a uma candidatura presidencial, os jornalistas optaram por indagar se ele  fez sexo com ela ou se vai manter a sua candidatura à presidência?
Hart, ao perceber o clima hostil de uma imprensa  que reflete  as ideias de uma sociedade conservadora como a americana, telefona para a mulher informando sobre uma reportagem sobre o seu relacionamento  com uma mulher na casa de do casal, em Washington. A mulher o lembra de que havia pedido ao senador é que não a envergonhasse.
Procurada por jornalistas, Donna Rice, informou que pretendia trabalhar na campanha e simpatizava com as ideias do candidato. Gary Hart contra ataca à denúncias defendo sua privacidade. Mas os rumores se aquecem com o aparecimento de um envelope amarelo com mais fotos comprometedoras do candidato com outras mulheres, evidenciando que ele seria um mulherengo incorrigível e mentiroso contumaz
Ele ainda viaja pelo interior e tenta traçar estratégias para reassumir o comando  do discurso daquela campanha inicialmente fácil e vitoriosa, mas que, acaba sucumbido diante de uma avalanche de denúncias. Para assessores, Hart compara metaforicamente os jornalistas com os caçadores e aos candidatos como a caça, lembrando: “eu envergo, mas não quebro. Cometi alguns  erros, mas sou um idealista que sonha e quer servir ao povo”. Como azar no jogo pode  dar sorte no amor, ele continuou casado com Lee Hart pelo menos até o final das filmagens de O Favorito, que traz lições sobre marketing político e erros que não se pode conviver numa campanha qualquer.(Kleber Torres)



Ficha Técnica

Titulo: O Favorito (The Front Runner)
Direção : Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman, Matt Bai e Jay Carson
Elenco : Hugh Jackman, Vera Farmiga, J.K.Simmons,  Alfred Molina, Kaitlyn Dever, Ari Graynor, Molly Ephraim e Sara Paxton
Música: Rob Simonsen
Gênero : Drama, Biografia

domingo, 1 de setembro de 2019

O Holocausto sob a cáustica ótica de um sobrevivente




O drama do Holocausto a partir da ótica e das memórias de um sobrevivente, Sol Nazerman,  interpretado num desempenho antológico  por Rod Steiger, é o tema de The Pawnbroker (O Homem do Prego), um filme e estadunidense de 1965,  dirigido  com competência  por Sidney Lumet, sobre a solidão, o medo, a falta de perspectivas e a morte . A história tem como base  um roteiro de Morton Fine e David Friedkin, baseado no livro de Edward Lewis Wallant.
O filme registra dois marcos na história do cinema: foi o primeira produção americana  a mostrar o Holocausto do ponto de vista de um sobrevivente à sanha assassina dos nazistas nos campos de concentrações transformados em uma indústria do medo e da morte. E emerge como a primeira película a  romper as regras censoriais do código moralista Hays ao mostrar os seios da atriz Thelma Oliver.
O enredo narra em preto e branco os  dramas psicológicos e humanos que deixaram marcas  num sobrevivente de um campo de concentração nazista ,que se estabeleceu após a guerra numa  loja de penhores em uma  área decadente e sombria do Harlem ocupada por traficantes, viciados, desempregados, prostitutas e gigolôs .
Tudo começa na Alemanha dominada pelo nazismo, quando o professor universitário judeu Sol Nazerman é confinado com os pais, a mulher e dois filhos em um campo de concentração.  Como  único sobrevivente da família após a Guerra, ele embarca para os Estados Unidos, onde monta uma loja de penhores no Harlem.
Ali, ele tem uma rotina de trabalho sem lazer ou amigos numa espécie de bunker, onde passa os dias negociando com viciados em drogas, prostitutas, desempregados e pessoas empobrecidas a quem oferece preços 90% inferiores ao do produto o quinquilharias apresentadas sem valor para  penhora. Cada cliente tem uma expectativa de vantagem no penhor de um rádio quebrado, de uma joia falsa ou mesmo a busca de uma palavra amiga do dono do prego, que não tem tempo para conversa fiada.
Sol tem  como empregado o porto-riquenho,  Jesus Ortiz (Jaime  Sánchez ), que  sonha em ser rico de qualquer forma e explora sua amante. Ele respeita  o patrão, a quem  considera uma espécie   professor pela sua visão objetiva da vida e pragmatismo nos negócios, mas ao mesmo tempo luta contra desejo  de assaltar a loja junto amigos criminosos do bairro. Vivendo numa área dominada pelo tráfico, Nazerman também enfrenta o criminosos como Rodriguez(Brock Peters), que utiliza o seu negócio de penhores para lavagem de dinheiro oriundo do lenocínio e do tráfico de drogas.
Vivendo solitário e fugindo de compromissos afetivos , Sol Nazerman além de um niilista sem nenhuma esperanças na vida, começa a enfrentar o medo e passa a  ter  recordações cada vez mais frequentes da sua tragédia pessoal, dos momentos ásperos em que  estivera nas mãos dos nazistas.
Ele era assustado de um lado, pelos latidos de cães que  o fazem lembrar da morte de um amigo,  mordido por um animais ferozes ao tentar fugir da prisão.  O pesadelo sem fim o ameaça no metrô, onde reconstituia uma viagem de trem aterradora até o campo de concentração, em   que perdeu toda sua família e viu a mulher indefesa, ser violentada por oficiais nazistas. O terror ganha em escala  com a invasão da sua loja por gangsters e depois por ladrões, num assalto frustrado que resulta na morte de Jesus,  o que o deixa  mais solitário e perdido numa cidade indiferente.(Kleber Torres)

Ficha técnica:
Título :The Pawnbroker (O Homem do Prego)
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Morton Fine e David Friedkin, baseado no romanceThe Pawnbroker, de Edward Lewis Wallant
Elenco: Rod Steiger, Geraldine Fitzgerald, Jaime Sánchez, Thelma Oliver e Brock Peters
Música         Quincy Jones
Gênero: drama
Estados Unidos
1965 •  pb •  116 min

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O plano frustrado dos cães azedos de aluguel




O planejamento e o resultado fracassado de um roubo de diamantes, mas sem mostrar a sequência do assalto frustrado, formam o enredo  de  Reservoir Dogs (Cães de Aluguel), um filme estadunidense de 1992, escrito e dirigido por Quentin Tarantino, uma obra que desenha os contornos de uma estética de violência mantida em Pulp Fiction (1994) e Kill Bill I e II (2003 e 2004). O filme é marcado por uma escalada de ações violentas, que culminam com uma série de mortes e numa grande interrogação.
A obra  reúne um elenco integrado por Harvey Keitel (Mr.White), Steve Buscemi (Mr.Pink), Michael Madsen (Mr. Blonde), Tim Roth (Mr. Orage), Edward Bunkr (Mr. e próprio Tarantino  (Mr. Brown), homens que teoricamente não se conheciam e que  para evitar uma possível identificação durante o assalto usam codinomes de cores nos diálogos entre si.
Tudo começa com um grupo homens tomando café em um restaurante. Seis deles vestindo ternos escuros, parecendo executivos ou mafiosos. Eles se tratam formalmente pelos codinomes de Mr. Blonde, Mr. Blue, Mr. Brown, Mr. Orange, Mr. Pink e Mr. White. Os outros dois personagens no café são Joe Cabot (Lawrence Tierney) um conhecido mafioso de  Los Angeles, que esta acompanhado do filho o Cara Legal Eddie Cabot  (Chris Penn).
Aparentemente, o grupo não faz referências ao planejamento do roubo. No café,  Mr. Brown faz  a sua análise da música Like a Virgin, sucesso de Madonna, enquanto Joe se irrita com ele, após discutirem sobre sua agenda de endereços. Já o Mr. Pink se manifesta contra o pagamento  de gorjetas para garçonetes até  o Joe obrigá-lo  a deixar a quota da jovem que o atendeu.
Em essência Cães de Aluguel é um filme inovador  em termos de linguagem, com uma narrativa não linear, mesclada de palavrões em profusão, incorporando ao mesmo tempo as marcas registradas de Tarantino, com referências à cultura pop, aos filmes B, mostrando crimes violentos e uma trilha sonora tendo com referência a música contemporânea ao período da produção, considerada posteriormente um clássico do cinema independente.
A sequência seguinte registra o interior de um carro fugindo em velocidade. Nesse interim, Mr. White, dirige o veículo e ao mesmo tenta apoiar ao Mr. Orange, baleado no abdômen, com uma forte hemorragia e gritando de dor. Os dois chegam a um depósito abandonado, que seria o ponto de encontro do grupo após o roubo e  que passa a ser o cenário central da trama.
Mr. Pink suspeita que o assalto à  joalheria, organizado por Joe Cabot, foi uma armação. Uma evidencia seria a pronta reação dos policiais após o disparo do alarme. Mr. White revela ao Mr. Pink que Mr. Brown foi baleado pela polícia. Já os rumos de Mr. Blonde e Mr.Blue ainda são desconhecidos, ao tempo em que se desenvolve nas ruas da cidade  uma caçada policial aos ladrões.
Após cuidarem de um Mr. Orange, que parece inconsciente, Mr. White e Mr. Pink questionam as ações Mr. Blonde, um  psicopata que matou diversos civis depois que o alarme foi acionado. Mr. Pink informa que deixou os diamantes protegidos e em um local seguro. Os dois divergem sobre levar ou não Mr. Orange, que está em estado muito grave, a um hospital, o que colocaria em risco aos demais participantes do assalto.
White questiona Blonde pela violência empregada no assalto à joalheria, enquanto ele rejeita a sua crítica. Blonde diz à White e Pink para não abandonarem o ponto de encontro, uma vez que "Cara Legal" Eddie, de quem é amigo pessoal, está a caminho para socorrê-los. A sequência de violência aquece ainda mais quando Mr. Blonde apresenta um policial capturado Marvin Nash (Kirk Baltz), que colocou na mala do carro e a quem começa a torturar para que ele diga quem é o informante infiltrado na quadrilha.
O policial diz não saber e a tortura prossegue, com Blonde dançando "Stuck in the Middle With You", antes de decepar a orelha do policial com uma navalha. Quando Blonde  ameaça tocar fogo em Marvin Nash, ele acaba abatido a tiros por Mr. Orange –o policial infiltrado na quadrilha e que vinha participado de várias ações para a captura de Joe e Mr.White -, justp quando este tentava acender um isqueiro sobre um rastilho de gasolina.
A ação cresce de intensidade com uma série de flashbacks e depois, Joe atira em Mr. Orange, ferindo-o novamente. Numa reação instantânea, Mr. White atira em Joe, matando-o e, o Cara Legal Eddie atinge a Mr. White, que revida eliminando o oponente. Aproveitando o conflito, Mr. Pink, que se escondera sob as escadas para tentar se proteger do tiroteio, pega os diamantes e foge do depósito, quando a polícia chega e  entra no local. Como uma obra assinada pelo estilo de Tarantino, o filme termina com o som de um tiro, o qual poderia ter sido de  Mr. White em Mr. Orange, o policial infiltrado no bando ou mesmo se Mr. White foi executado pela polícia que atirou antecipando-se a um crime. Mas, por certo, nenhum espectador de bom senso duvida que naquele momento até as duas mortes simultâneas aconteceram fechando o ciclo de um mistério e violência tarantineanos.(Kleber Torres)
FICHA TÉCNICA

Título : Cães de Aluguel (Reservoir Dogs )
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro : Quentin Tarantino e Roger Awary
Elenco : Harvey Keitel (Mr. White/Larry); Tim Roth (Mr. Orange/Freddy); MIchael Madsen (Mr.Blonde/Vic Vega); Chris Penn (Nice Guy Eddie), Steve Buscemi (Mr. Pink); Lawrence Tierney (Joe Cabot); Randy Brooks (Holdaway), Kirk Baltz (Mervi Nash); Edward Bunker (Mr.Blue/Eddie Bunker); Quentin Tarantino (Mr. Brown)
Cinematografia : Andrzej Sekula
Gênero : Policial
EUA
99 minutos

sábado, 24 de agosto de 2019

Um golpe de mestre com suspeitos incomuns



Inteligência e humor são os ingredientes fundamentais de Suspeitos Incomuns (Hunting Elephants), uma comédia israelense dirigida e roteirizada por Reshef Levi contando a história de YonathanGil Blank), um adolescente muito inteligente, gago de 12 anos, que se  cansou de buscar maneiras para se livrar do bullying e das agressões que sofria diariamente na escola.
Tudo muda depois da morte de seu pai, em consequência de um infarto no banco onde trabalhava e das dificuldades financeiras enfrentadas pela sua mãe, sem acesso ao seguro social, quando acabou indo morar com seu avô Eliyahu (Sasson Gobai), considerado um mentiroso e psicopata e o  seu tio lord Michel Simpson (Patrick Stewart), um milionário falido e um ator fracassado, que viviam em um asilo de idosos. Ali, eles se tornam amigos e passam a planejar com o jovem de Q.I. acima da média, um engenhoso roubo a banco.
Antes de deixar o filho com o avô, a mãe Dorit (Yaël Abicassis) telefona para o tio nobre na Inglaterra pedindo ajuda financeira sem sucesso, enquanto o lord fugia dos credores e migrava para Israel, onde a família tinha uma mansão, a qual havia sido vendida pelo cunhado Eliyahu para tratamento da sua mulher, que ficou em coma após sofrer um avc. Ex-assaltante de banco e estelionatário, o idoso fraudou a assinatura de mulher e do cunhado ator para vender o imóvel, ele também se recusava a assinar uma autorização de eutanásia para a paralisação do atendimento médico à sua companheira, com quem havia vivido nos últimos 60 anos.
No abrigo, os dois idosos  se juntam a Nick(Moni Moshonov) no planejamento do roubo, que fora idealizado por Yonatan, que é comparado pelo tio lord com o Hamlet, o personagem shakespereano cujo pai morreu assassinado – no caso do adolescente pelo trabalho excessivo – e que teve a mãe conquistada pelo gerente do banco, o qual a seduziu com uma série de propostas, inclusive acenando com a possibilidade de um casamento civil.
Eliyahu resolve o problema do bulling do neto intimidando ao principal agressor com uma possível retaliação à bala. Já o lord, que era um niilista, porque  se morresse não havia nada, pois não havia de deixar nenhum legado para ninguém,  participa dos preparativos do golpe para conseguir o suficiente para encenar sua última peça nos palcos da vida.
Depois de acertos e desacertos na simulação e execução do assalto, que foi planejado inicialmente na laje do asilo e clínica onde o grupo vivia. A estratégia era usar o lord Simpson como isca, em função da sua aparência de um rico executivo, assim, o grupo acaba lançando a sua grande cartada usando o cartão de acesso aos cofres do gerente do banco, que acaba preso e conta  a sua desdita num documentário sobre o caso.
O grupo consegue limpar o cofre e Yonathan saí do banco com a mochila de dinheiro nas costas, porque crianças e idosos são transparentes e por isso invisíveis para o sistema de repressão e para a segurança do banco. Também sem ser notado, o jovem volta ao banco onde o avô fora baleado na execução do assalto e na saída queima uma parte do dinheiro roubado diante de clientes, funcionários e do segurança da agência.
No fim da história,  o grupo comemora os resultados e o avô se recupera dos ferimentos. A adolescente acabou inocentado do crime, sob alegação de que vivera uma experiência traumática. Uma lição implícita no final do filme é de que o crime até certo ponto compensa e que um idoso com dinheiro pode atrair a atenção e o carinho de uma jovem cuidadora de idosos. (Kleber Torres)


Ficha técnica

Título : Hunting Elephants (Suspeitos Incomuns)
Direção: Reshef Levi
Roteiro : Reshef Levi e Regev Levi
Elenco: Sasson Gabai, Moni Moshonov, Patrick Stewart, Gil Blank, Yaël Abicassis, Moshe Ivgy e Zvika Hadar
Música: Gilad Benamram
Gêneros: Comédia , Policial
Data de lançamento 2013 (1h 48min)
Nacionalidades EUA, Israel

sábado, 13 de julho de 2019

O Síndico tem participação de Carlos Betão e atores regionais



Depois de atuar em  Segundo Sol, onde interpretou o delegado Viana e de papeis destacados em novelas globais como Velho Chico e em Marcas da Paixão, exibida pela Record, bem como no remake cinematográfico de Gabriela, em O Homem que Não Dormia, de Edgard Navarro e Aos Ventos que Virão, de Hermano Pena ou ainda de participação no ultimo filme de Gustavo Bonafé,  o ator Global, Carlos Betão,  voltou a Itabuna onde integrou ao elenco da série O Sindico, dirigida por Betsi de Paula. A série, de cinco capítulos, em fase de montagem e  pós produção, será exibida pela TVI em data a ser anunciada proximamente.
Bacharel em artes cênicas pela Universidade Federal da Bahia -UFBa – e com quase  quatro décadas  de  estrada. Betão lembra que começou sua carreira nos palcos e praças de Itabuna e Ilhéus, “Comecei no Teatro da AFI, com Pluft,o Fantasminha e a Bruxinha que era boa, com Leila Chalupp”.
Hoje, com a trajetória consolidada e considerado um profissional respeitado pelo seu currículo, ele contabiliza a participação em mais de 14 filmes, 40 peças e diversas novelas na Globo e na Record. Também destaca que essa volta mesmo temporária a Itabuna, onde nasceu, “foi uma oportunidade de rever amigos e encontrar pessoas com quem convivi, uma revisita que estava para fazer e que só foi possível agora, com a filmagem da série”.
Vencedor do prêmio Brasken de melhor ator com o monólogo Sargento Getúlio, dirigido por Gil Vicente), Betão interpreta em O Sindico, inteiramente filmado no condomínio Torres da Primavera, com 200 apartamentos, próximo ao CAIC ,na Urbis IV, um morador politicamente incorreto, homofóbico e machão.
Ele destaca que o barato da série não é o fato de ser uma série televisiva, mas o possibilidade “de voltar à minha cidade e ter um contato direto com artistas da região Sul da Bahia, muitos deles jovens e com excelente potencial e que vão dar continuidade ao trabalho que iniciamos e precisa de uma sequência.”
Salienta ainda a oportunidade de contracenar com atores como o experiente Luís Sérgio Ramos e Jailton Alves, que interpreta o Sindico, os quais junto com Clara Melo e Betse de Paula também participaram da elaboração do roteiro. O elenco inclui ainda as participações de Eva Lima, Maria Sofia, Raquel Rocha, Rogério Thomas, Lila Azevedo e Priscila Coutinho, entre outros nomes.
Betão observa ainda que além da integração com outros atores, a filmagem da série possibilitou trabalhar coma diretora Betsi de Paula, uma artista conhecida nacionalmente e que filmou em Itabuna uma série a ser exibida através da TVI e “é a capitã deste barco, que comanda de forma generosa”,
Nos cinco episódios, ele contracena antagonisticamente com um casal homossexual interpretado pelo experiente ator  Luís Sérgio Ramos (Darci), que atuou nos palcos do  Rio, são Paulo e Salvador, onde integrou o núcleo do Teatro Castro Alves   e Rogério Thomas (Wagner), que tem uma filha Cleo.  O elenco reúne um total de 16 atores de Itabuna, Itororó, Salvador e Rio de Janeiro, além de dezenas de extras, muitos deles moradores do Torres da Primnavera. O Sindico é interpretado por Jailton Alves, que já foi síndico do edifício onde morava e que também teve participações na novela Renascer, da Globo, com locações no eixo Itabuna-Ilhéus.
Para Carlos Betão é elogiável a existência de uma série produzida para uma emissora do interior como a TVI, sem os recursos das grandes redes, “o que possibilita à equipe de produção e atores uma experiência inovadora e ao mesmo tempo lúdica, criativa e minimalista. A criatividade se manifesta ao tornar visível o invisível, um processo em que cada um se vira nos 30, 40 e 50 ou mais, mas o que importa é o resultado final do projeto e a proposta de uma equipe profissional que participa do processo da produção da série de forma integral e com competência.”(Kleber Torres)