domingo, 2 de abril de 2023
Matrix e as opções no inevitável confronto real ou virtual entre homens e máquinas
sexta-feira, 24 de março de 2023
Matrix e a Inteligência artificial num futuro ciberpunk distópico
quinta-feira, 23 de março de 2023
Uma dramédia instigante e anárquica com humor britânico
quinta-feira, 29 de setembro de 2022
A vida e as múltiplas mortes do rei do rock
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“O que matou Elvis segundo os médicos, foi o coração;
outros médicos dizem que foram os comprimidos;
alguns dizem que fui eu. Vou te contar o que matou Elvis: foi o amor. O seu amor por vocês”, estas declarações do coronel Tom Parker (Tom Hanks) explica em
parte na cinebiografia Elvis, a
trajetória de a ascensão e decadência do
roqueiro Elvis Presley interpretado por Austin
Butler. Um drama humano que envolveu sexo, drogas e rock’n roll, que rendeu aos
seus produtores US$ 286 milhões.
O filme evidencia a
parceria tóxica entre o cantor de origem
humilde e pouco instruído, com o seu
empresário que se apresentava como coronel Tom Parker -ninguém sabe se
este é efetivamente o seu nome-, que ao longo de mais de duas décadas, cuidou
de contratos nem sempre favoráveis ao rei do rock. Ele o submetia a ações de
marketing meramente comerciais sem agregar valor à carreira do artista, inclusive
com a produção de filmes de classe B, colocando o astro do rock como vendedor
de gadgets e eletrodomésticos além de outros produtos vendáveis para uma sociedade de consumo.
O filme tem como
contraponto a expansão dos EUA como potência
econômica e militar hegemônica e os conflitos
pessoais de Elvis ao longo dos anos como cantor branco, mas profundamente
influenciado pelo jazz, o blues e pela música gospell. A cinebiografia mostra também
a relação de Elvis com a mulher Priscilla Presley (Olivia DeJonge), com quem
teve uma filha e que tentava influenciá-lo positivamente, tentando dar um rumo para sua carreira como
artista e inspirando-o na tomada de decisões que o tornaram um referencial para
outros artistas brancos e negros os quais o sucederam após a sua morte em 1977 aos 42 anos..
Dirigido
por Baz Luhrmann de "Moulin Rouge", "O Grande Gatsby" e
"Romeu e Julieta", que assinou o roteiro juntamente com Sam Brommell, Craig Pearce e
Jeremy Doner, Elvis tem uma narrativa a partir do ponto de vista Tom Parker,
que assume o comando da história e até o protagonismo da história deixando em
segundo plano o biografado. Mostra também como um empresário circense e
inescrupuloso, que descobre a sua mina
de ouro a partir de um jovem branco, interiorano e o qual começava a se apresentar
em eventos dançando como um negro e cantando rock.
Ao
assumir o controle da carreira do artista emergente e que acabou se tornando
uma superestrela do rock, levando suas fãs ao êxtase e deixando os seus críticos
irados, o coronel Parker investe em contratos lesivos visando quitar suas
dívidas de jogo nos cassinos e manter um elevado padrão de vida. Em paralelo à
trajetória de Elvis o filme tem inserções sobre seu relacionamento com artistas
negros como BB King e Little Richards, que o inspiravam bem como a autores de estilos variados
como rap e o hip hop nos dias de hoje, apresentando como
pano de fundo os grande eventos que marcaram a história num mundo dividido pela
guerra fria, pela guerra do Vietnã, pela contracultura e até com o surgimento
dos Beatles.
Além da relação conturbada
entre Elvis e o seu antagonista, o filme também mostra a sua relação do artista
com a mãe, Gladys (Helen Thomson) e o pai, Vernon (Richard Roxburgh), com a mulher e com os amigos
que o cercavam na mansão de Graceland, em Memphis, no Tenesse, onde nasceu e
morreu. A influência das drogas e seu afastamento gradual de Priscila, também revela a
deterioração da saúde física e mental de Elvis, que acaba sucumbindo ainda
jovem.
A direção do filme também investiu com esmero no resgate dos cenários da
época e em sequências antológicas em Las
Vegas, onde Elvis passou a se apresentar em shows nos cassinos final já no estágio final de sua carreira. O filme é
de certa forma lento, tenta mostrar um Elvis ingênuo, mas a história do rei do
rock é de certa forma roubada pela força do seu antagonista o coronel Parker,
numa excelente interpretação de Tom Hanks, experiente ganhador de dois Óscares em
Forrest Gump e Philadelphia, que deverá
ser indicado para a disputa do troféu pela sexta vez
A atuação Austin
Butler é convincente e pode também leva-lo à disputa do Óscar em
2023, sendo reforçada pela trilha sonora estruturada por Elliott
Wheeller, que além de incluir sucesso do próprio Elvis, teve ainda de lambuja a participação de
artistas como Doja Cat, Måneskin, Eminem e CeeLo Green. A lição que fica é que
apesar da sua morte física, Elvis não morreu. Ele revive nas telas do cinema e até
em teorias conspiratórias tão em voga nestes tempos de fake News. Há quem diga
que ele teria sumido da vida pública por diversos motivos, o que poderia ser
tema de outro filme ou quem sabe, de até um romance, pois se o Rei está morto,
Viva ao Rei!(Kleber Torres)
domingo, 19 de junho de 2022
As diversas faces virtuais no crime ponto com
Construído
no formato de documentário com seis episódios exibidos inicialmente em 2019 e
depois reprisados posteriormente através do canal Investigação Discovery (ID),
a série Crime.com, revela para o
espectador golpes e crimes digitais inimagináveis que aconteceram na internet
brasileira, com
repercussão e desdobramentos inclusive em outros países. Cada caso é
complementado com depoimentos de pessoas envolvidas em cada um dos casos apresentados.
Cada
episódio, com 45 minutos de duração em média, envolve três casos diferentes, narrados
pelo ator e locutor Luiz Guilherme Deliberador Favati, o qual explica
didaticamente aspectos fundamentais dos crimes cometidos com a ajuda dos
recursos e das tecnologias digitais, mas com impacto na vida real das vítimas.
Uma preocupação evidenciada no projeto está em revelar como pensam e atuam os na prática os autores de fraudes digitais seja através de
píshing, uma técnica de engenharia social usada para enganar as vítimas e obter
informações pessoais sobre as mesmas, com acesso a informações sobre senhas, arquivos
pessoais, cartões de crédito utilizados e depósitos bancários, ou mesmo de
outras modalidades operacionais.
"Crimes.com" tem também como
proposta evidenciar a vulnerabilidade
das pessoas ou de empresas aos golpes virtuais
através do acesso à rede mundial de computadores ou mesmo por telefone. Tudo
isto é facilitado pela crescente
exposição individual através às muitas plataformas digitais, as quais
sempre são monitoradas por criminosos com acesso ao crescente uso de
aplicativos usados largamente nos dias
de hoje para diversas finalidades.
De forma
complementar, série inclui ainda depoimentos
de personagens envolvidos nos casos, como delegados, investigadores, advogados,
técnicos, consultores e vítimas que aparecem em cada história, em que são
apresentadas as reencenações dos crimes e fraudes. Estes ingredientes conferem
maior dramaticidade e veracidade à série, que deveria ser ampliada no futuro,
porque as modalidades de crimes se multiplicam e se desdobram em inovações como,
por exemplo, o surgimento de quadrilhas especializadas no roubo através de transferências
de recursos pelo pix ou oferecendo lucros mirabolantes através da operação com
criptomoedas.
Uma das
histórias da série teve como referência a atuação de um dos maiores hackers do
Brasil, que se apresenta como Daniel Nascimento e foi cooptado por um outro
operador identificado como Fênix, o qual usava carros de luxo e evidenciava um
elevado padrão de vida. Os dois invadiam computadores através do sistema de
pishing e ganhavam dinheiro para si e para clientes beneficiados pelas fraudes.
O caso foi investigado pela Polícia Federal que acabou chegando aos operadores
do golpe e hoje, o jovem hacker teria abandonado as atividades criminosas, passando a operar do outro lado do balcão.
Agora, atua no mercado como consultor na área de cibersegurança.
O segundo
caso mostrado pelo Investigação Discovery foi uma fraude contra uma empresa
produtora de aplicativos, que tinha seus produtos copiados integralmente por
uma concorrente e lançado antes da desenvolvedora, com mudanças apenas nas
cores dos apps. O caso também foi investigado pela polícia, consultores e
advogados da empresa, que começaram apurando as formas possíveis de vazamentos
das informações que deveriam ser sigilosas.
Os
policiais começaram primeiramente a
monitorar os equipamentos da empresa e
as rotinas dos servidores, os quais foram submetidos a perícia. Gustavo
Batistuzzo conta que as pistas apontavam inicialmente para o diretor de
tecnologia de informação da empresa, Sérgio Andrade, e, assim, foi solicitado
em paralelo um mandado de busca e apreensão nos computadores e telefones dos
trabalhadores da empresa.
Resultado:
foi descoberto que todos os sócios da suposta empresa concorrente, que teve a
venda dos softwares piratas suspensos pela Justiça, eram empregados da empresa lesada
nos seus direitos autorais e de
propriedade tecnológica.
O
terceiro caso começa com um suposto sequestro de um homem, que em seguida corre
sozinho numa rua com ferimentos na testa e hematomas no corpo. Ele cai no
passeio e é socorrido desmaiado. A vítima é nada menos que um empresário bem
sucedido, que comandava um Clube de Empreendedorismo, especializado em investir
no mercado de apostas esportivas no mercado internacional e que funcionava em
realidade como uma pirâmide financeira.
A policia
apurou que o golpe movimentou mais de R$
200 milhões. Uma das vitimas tinha R$ 77 mil aplicados na conta de gerenciamento do saldo digital de
investimento, um capital que era monitorado através de um aplicativo que
registrava os ganhos diários na operação. Posteriormente, ela foi notificada que devido a problemas
virtuais e operacionais os saques seriam suspensos por um período de 40 dias.
O
empresário de sucesso e que vivia um elevado padrão de vida marcado pela
ostentação, com carros de luxo e viagens internacionais, acalmou os
investidores em lives nas redes sociais, fazendo o que a policia considerou uma
espécie de jogo de cena, através de
golpes estimulados pela ilusão e pela esperteza. Nas investigações também ficou
constatada a inexistência na bolsa de Londres de qualquer cadastro da
Chutehold, a sua empresa, que tinha sua base teórica na Inglaterra.
O
delegado da PF, identificado como Fernando Pires Branco, considero que a Chutehold
foi estruturalmente o projeto de uma pirâmidade que começou a ruir e que era
mantido por informações de clientes nas
redes sociais, um dos quais contando que em três meses de operação ganhou R$
400 mil. O delegado também considera que o sistema era mantido artificialmente
através de muita ostentação e de uma
vasta rede de contatos conseguidos pelo fraudador cujo aplicativo sumiu
juntamente com a plataforma após a divulgação do golpe.
domingo, 29 de maio de 2022
Uma transição radical do terror até a pornochanchada
José
Mojica Marins não foi apenas o pai do terror no Brasil, que nos legou Zé do
Caixão, o Joe Coffin, como é cultuado pelos seus admiradores nos Estados
Unidos, além de obras como À Meia Noite
Levarei Sua Alma, Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, O Estranho Mundo
de Zé do Caixão e Finis Hominis. entre outros filmes. Ele também incursionou com sua criatividade e recursos
limitadores no faroeste, dramas,
aventura e até no gênero da pornochanchada em A Virgem e o Machão, assinado com
o pseudônimo de J,Avelar.
O roteiro
de Georgina Duarte nos remete a dois médicos que chegam em uma pequena cidade para
trabalhar num hospital do interior. Um deles, o machão (Aurélio Tomassini) começa
por seduzir a bela camareira do hotel em que se hospedou. Ele também aceita o
desafio e suscita apostas milionárias para conquistar e acabar com a frigidez da prostituta mais
famosa da cidade e que estava na casa da madame
Lola (Zélia Hofmann), a bela Maria Sorvete (Nadir Fernandes), que atraia
com seu charme gelado aos clientes e indiferente a tudo, chupava picolés no
palito (numa metáfora ao sexo oral) durante os seus encontros amorosos.
As
atividades do machão, que conseguiu
acabar a frigidez de Maria Sorvete tomando ao lado dela sorvete de caixinha,
resulta no desaparecimento da prostituta, que deixa a cidade envergonhada. A
sequência, também metaforicamente sugestiva do encontro, termina com o picolé
de coco da prostituta derretendo na cômoda e gotejando leitoso no chão do
quarto, num presumível orgasmo.
Já o
médico e machão também conquista a atenção das mulheres casadas da elite da cidade, que resolvem se vingar das
traições dos maridos pagando com a mesma
moeda e ao mesmo tempo também atrai as atenções de uma virgem (Esperança Villanueva), com quem tem um caso,
mas ao se recusar a tê-la como esposa num casamento formal, desperta uma trama que vai desmascará-lo na
comunidade.
A virgem arma, com o macaco Tião, que também é personagem do filme, lê jornais e é cheio de esperteza, uma vingança contra o machão visando expor as suas conquistas. O filme marcou a estreia de José Mojica Marins na pornochanchada e foi uma forma do cineasta criativo driblar os rigores da censura, com humor e questionando os valores da sociedade, inclusive com relação à fidelidade conjugal e até mostrando a face atual do empoderamento feminino.(Kleber Torres)
Ficha técnica :
Título : A Virgem e o Machão
Diretor : J.Avelar (José Mojica Marins:
Roteiro: Georgina
Duarte
Elenco :
Aurélio Tomassini, Esperança Villanueva, Alex Delamote, Chaguinha, Geraldo
Decourt, Gracinda Fernandes, Lisa Negri,
M. Augusto Cervantes, Nadir Fernandes,Rosalvo Caçador, Zélia Hofmann,
Vosmarline Siqueira e Toni Cardi
Cinematografista
: Eliseo Fernandes
Gênero :
Pornochanchada
Ano : 1974
90 minutos
Colorido
domingo, 22 de maio de 2022
Cibersegurança uma questão que afeta governos, empresas e a própria cidadania
Preso numa cadeia de segurança dos
Estados Unidos, onde cumpria pena por
cometer crimes virtuais, o hacker Nicholas Hathaway (Chris
Hemsworth) é
retirado da prisão para identificar e localizar um ciberterrorista que roubou
seu código e, depois de invadir um sistema de segurança digital, provocou um
desastre nuclear na usina de Xiuan, na China. A ação criminosa resultou em sequência
numa série de eventos, inclusive ataques
a sistemas bancários, que impactaram o
mercado global de ações, mobilizando os serviços de informação das duas maiores
potências mundiais.
O enredo
associa a ação do hacker colaborando com agentes de segurança americanos
e chineses para investigar inclusive outros crimes cibernéticos com ampla
repercussão de Chicago a Los Angeles ou de Hong
Kong a Jacarta. À medida que as investigações avançam Hathaway descobre
juntamente com Chen Line (Teng Wei) e Carol Barret (Viola Davis) que as apostas se tornam pessoais e o ataque a uma usina nuclear chinesa foi
apenas o começo de uma série de ações criminosas, que incluiriam o projeto para
rompimento de diques visando probocar inundações na Malásia, causando em
contrapartida a escasses de estanho no mercado mundial.
O thriller de ação foi dirigido
pelo experiente Michael Mann, considerado um dis cineastas americanos mais
inovadores da sua geração e que tem a seu crédito filmes como Fogo contra Fogo
(1995), O Informante (1999), Colateral(2004),
Miami Vice(2006) e Inimigos Públicos (2009), a partir de um roteiro instigante
de Morgan Davis Foehl sobre uma questão que preocupa governos,
empresas e os cidadãos: a cibersegurança. O filme
rodado em 2015, recebeu o elogio de críticos e espectadores, mas não rendeu o esperado, custou
US$ 70 milhões e rendeu apenas US$ 20 milhões.(Agência Brasil)
Ficha técnica:
Título : Blackhat (Hacker)
Diretor : Michael Mann
Roteiro : Morgan Davis Foehl
Elenco : Chris Hemsworth, Teng Wei, Viola
Davis, Ritchie Coster, Holt McCallang, John Ortiz, Yorick van Wageninger, Wang
Leehom
Cinematografista – Stuart Drayburgh
Música : Harry Gregson-Williams, Atticus Ross
e Leopold Ross
Gênero : Drama
2015






