sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Miles Davis une jornalismo e música num filme autobiográfico



Ao tentar  publicar uma matéria exclusiva sobre o trompetista Miles Davis (Don Cheadle), um dos mais influentes músicos do século XX, que estava afastado dos palcos há cinco anos em função do uso intensivo de drogas e medicamentos, o repórter Dave Braden (Ewan McGregor) não respeita o seu isolamento e tenta resgatar a história do músico numa reportagem para a Rolling Stone, uma revista mensal americana, com foco na música, política e cultura popular, o que resulta numa inesperada aventura marcada por flashbacks. O resultado é o resgate da trajetória de artista sem limites e a revelação das diversas facetas controvertidas de um maiores dos astros do jazz.
Tudo começa quando Davis, que estava afastado há anos do circuito musical, faz uma intervenção em um programa de uma emissora americana e pede que não chamem a sua música de jazz, mas simplesmente de música da alma, complementando: “se vai contar uma história, conte com atitude, não me venha com papo furado”.
No mesmo programa o trompetista  faz referências a So What,  no álbum Kind of Blue, uma  álbum gravado em 1958, com a participação de monstros como o pianista Bill Evans, o baterista Jimmy Cobb, o baixista Paul Chambers e os saxofonistas John Coltrane e Julian “Cannonball” Adderley. O álbum tem sido aclamado pela critica como o mais bem-sucedido trabalho de Miles Davis e a obra de jazz mais vendida ao longo do tempo.
Davis pede ainda que o apresentador do programa toque Solea, um dos destaques do álbum Sketches os Spain, de 1959, onde também aparecem como destaques "Concierto de Aranjuez" , de Joaquim Rodrigo; “Will of the Wisp”, de Manuel Falla; “The Pan Piper” de Gil Evans, que também assina Saeta e Solea.
Para o jornalista Dave Braden, Davis define sua história de vida em duas linhas: “ nasci e mudei para Nova York, conheci uns caras, compus umas música, usei umas drogas (coca e heroína), compus ainda mais e até você aparecer na minha casa.” O filme fala da relação conturbada de Davis com a dançarina Cicely Tyson, que o ajudou numa das fases a superar o vício em heroína e que o deixa em definitivo em 1988.
Com  o objetivo de conseguir a entrevista desejada o repórter promete a Davis a melhor cocaína da cidade e ele acaba autografando na casa do traficante diversos álbuns que o mesmo colecionava. Ao jornalista, Davis, que era filho de uma família de recursos, também conta que acordou negro e sabendo tocar  e diz acreditar que a música que não evolui está morta e sepultada.
O filme é marcado por muitos flashbacks da vida do artista, com incursões na sua vida sentimental, nas festas que fazia, nos cuidados em guardar gravações, na relação conturbada com as gravadoras e que foi também vítima de prisões forjadas quando um policial o ameaça e espanca injustamente.
O filme mostra o lado humano de um artista completo, que teve muitos altos e baixos como todos os seres humanos, mas deixou imortalizada uma obra gigantesca, e que em 1944, tocou no  grupo de Billy Eckstine, em St. Louis, onde se apresentou ao lado de lendas vivas como Dizzy Gillespie e de Charles Parquer, The Bird, ao substituir  Buddy Anderson, entrando como terceiro trompetista por algumas semanas, mas acabou ficando em definitivo, sendo incorporado ao elenco da banda.
Alguns críticos questionam a qualidade do filme em função dos cortes rápidos e de veracidade da história, com o trompetista e o repórter em busca de cocaína e de receber US$ 20 mil que lhe eram devidos por uma gravadora, nas fica a ligeira sensação de que faltava algo mais, inclusive em termos de músicas de um artista com um legado tão expressivo e de qualidade reconhecida internacionalmente. (Kleber Torres)

Ficha técnica

Títulos : Miles Ahead (Miles Davis)
Direção: Don Cheadle
Elenco: Don Cheadle, Ewan McGregor, Emayatzy Corinealdi  
Gênero: Drama e Biografia  

Estados Unidos

domingo, 14 de janeiro de 2018

Uma história de resiliência e superação dos limites humanos


Resiliência é a palavra chave que define o filme Sangue pela Glória (Bleed for This) ao narrar o drama do pugilista Vinny Pazienza (Miles Teller), um lutador que volta aos ringues depois de um grave acidente automobilístico e conquista em seguida um titulo mundial. Dirigido com competência por Ben Younger, que também assina o roteiro, o filme foi produzido pelo lendário Martin Scorsese diretor de dezenas de filmes a exemplo de Taxi Driver e Touro Indomável.

 Com uma carreira marcada por altos e baixos, mas com uma técnica e estilo inconfundíveis que lhe renderam muitas vitórias e pelo menos três derrotas consecutivas, que quase o deixaram fora dos ringues, Pazienza conseguiu um titulo mundial numa categoria superior à sua graças à ajuda do treinador Kevin Rooney (Aaron Eckhart), que se tornou célebre Kevin Rooney (Aaron Eckhart), na preparação de Mike Tyson, de quem havia se afastado por questões pessoais. 

Alguns dias depois dessa grande, ele acaba sofrendo um sério acidentes ao pegar uma carona com um amigo. Depois de permanecer vários dias entre a vida e a morte numa unidade de terapia intensiva, ele acorda e descobre que sofreu sérias lesões no pescoço, o que poderia comprometer os movimentos, com risco de deixá-lo paraplégico e sem condições de voltar aos ringues que era a sua paixão. Mesmo usando uma traquitana de aparelhos com parafusos na cabeça e no tronco para recalcificação das lesões, ele começa secretamente, sem o conhecimento da família e do técnico a treinar no porão da sua casa. Depois, ela passa a contar com a ajuda de seu treinador Rooney.

 A recuperação de Pazienza é lenta, primeiro pegando pesos e fazendo trabalho de musculação. Contrário ao uso de qualquer tipo de droga ou bebida, o lutador se recusa até mesmo de receber anestesia para retirada dos parafusos que prendiam os equipamentos à cabeça e ao tronco, o que lhe dava uma aparência de ET e dificultava até mesmo entrar e sair de um carro pequeno. A sua recuperação surpreende até mesmo aos médicos que duvidavam que voltasse até mesmo a andar. A historia de Vinny Pazienza começa em casa, ou melhor, na academia de seu pai onde iniciou ainda muito jovem a treinar, tendo como modelo e ídolo Cassius Clay Jr. depois Muhammad Ali, de quem copia de certa forma a técnica dos jabs e ajustando ao seu estilo a dança no ringue. 

O treinador Kevin Rooney tem papel fundamental no preparo do pugilista, que conta como apoio integral da família, em especial seu pai Angelo (Ciarán Hinds), que negocia pessoalmente a sua volta aos ringues enfrentando Duran Mão de Pedra, até então um lutador imbatível, garantindo um contrato milionário. O filme mostra que os sonhos não morrem e que impossível é uma palavra fora dos dicionários das pessoas resilientes e que têm pelo mens um objetivo na vida.

(Kleber Torres) 

  Ficha técnica Direção e roteiro: Ben Younger 
Elenco: Milles Teler, Aaron Eckart, Katey Sagal, Ciarán hinds, Ted Levine, Amanda Clayton, Jordan Gelber e Christine Evangeista 
Diretor de fotografia : Larkin Seiple  
Cenografista : Kay Lee

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Blade Runner e o questionamento sobre o que é ser humano ou não


Considerado um clássico entre os filmes de ficção científica, Blade Runner – O Caçador de Andróides (1982), que ganhou recentemente uma sequência com Blade Runner 2049, apresenta em sua estrutura diferentes níveis dramáticos e narrativos com uma abordagem ampla sobre filosofia, religião, meio ambiente, bioética, discutindo as implicações morais do desenvolvimento da inteligência artificial e a questão domínio da engenharia genética para a produção de andróides. O filme, que tem o seu referencial num futuro distópico, mostra as contradições de uma sociedade rica com alta tecnologia e cenários iluminados, que convive ao mesmo tempo com a pobreza, superpopulação e a violência nos bairros sujos da periferia, ampliando o debate sobre o que é humano ou não. O filme também revela a prevalência dos grandes grupos econômicos, um fenômeno do mundo globalizado e que oferecem trabalho e opções seguras para quem quer viver fora do planeta em colônias interplanetárias, mostrando ao mesmo tempo a ação repressiva da policia com o seu aparato de segurança, como fator de controle social. Blade Runner centra na discussão sobre o afinal que é humano ou não numa sociedade futurística em que as pessoas competem com replicantes, misto de máquinas e seres biológicos, usados em atividades de alto risco, mas que são reconhecidos a partir de um teste de empatia com cerca de 30 perguntas focadas também na relação com seres humanos e animais. Outra abordagem está na questão de se Rick Deckard (Harrison Ford) é um humano ou um replicante em função do seu comportamento bizarro, o que permite releituras diversas sobre um personagem, que tem o brilho dourado das pupilas dilatadas dos olhos dos replicantes, um tema enfocado na nova versão de 2049. Esse fato é insinuado também numa sequência em que o ex-policial manifesta sua gratidão a Rachel, que o havia salvo eliminando um dos seus oponentes (Leon) e a prometer não caçá-la, mesmo sabendo que vão mandar alguém no seu lugar. Blade Runner também faz alusões ao costume dos replicantes em colecionar fotografias material usado para argumentar uma construção de uma possível história de vida comparada à dos humanos que têm pai, mãe e um histórico familiar e privam relações sociais na escola, no trabalho e em tudo o mais. Tudo começa em novembro de 2019, em Los Angeles, onde o ex-policial Rick Deckard, que era um experiente Blade Runner, ou seja, caçador de andróides para eliminação, é submetido a uma detenção coercitiva pelo agente Gaff (Edward James Olmos) que o apresenta ao capitão Bryant que o convoca para uma nova missão: eliminar quatro bonecos que voltaram à terra ilegalmente depois de uma rebelião em que morreram 23 pessoas. O ponto em comum entre eles é que todos foram criados pela Tyrell, uma corporação que trabalhava com biotecnologia e havia desenvolvido o protótipo Nexus-6, máquinas (?) sem compaixão e empatia – caracteristicas dos psicopatas - , mas com vida útil limitada a apenas quatro anos e muito parecidos fisicamente com os humanos. O grupo teria voltado à Terra para tentar prolongar suas vidas indo em busca dos seus criadores. No dialogo com o ex-policial o capitão deixa claro para Deckart que ele não tem opções: porque se não for policial, vira gentalha, passando a integrar a ralé e o grupo de pessoas marginalizadas sem referencias na sociedade. Na busca de pistas deste grupo de replicantes, Deckard assiste a uma gravação de vídeo de um Blade Runner aplicando um teste "Voight-Kampff", uma espécie de polígrafo capaz identificar replicantes diferenciando-os dos seres humanos, com base em um conjunto de respostas a uma série de perguntas interrelacionadas entre si. O replicante Leon (Brion James)Leon atira no policial ao ser interrogado sobre sua mãe. A missão de Deckard é exterminar quatro bonecos replicantes, um grupo integrado por Leon, Roy Batty (Rutger Hauer), Zhora (Joanna Cassidy) , e Pris (Daryl Hannah), dando inicio a uma verdadeira caçada e que se transforma numa espécie de jogo entre gato e rato de final imprevisível. A investigação começa na sede da Tyrell Corporation para que o ex-policial pudesse verificar o que funciona no teste com os novos protótipos mais avançados. Na empresa, ele descobre que o cientista Eldon Tyrell (Joe Turkel) tem uma bela assistente, Rachael (Sean Young) uma replicante sensual de ultima geração, com falsas memórias implantadas em seu cérebro, que acredita ser um ser humano. Ela é submetida a um teste demorado, e neste tempo os replicantes fugitivos iniciam sua busca por Tyrell para forçá-lo a prolongar suas vidas com prazo de validade curto e prestes a se esgotar. A caçada envolve sequências violentas e movimentadas. Deckard encontra uma foto de Zhora e uma escama de cobra sintética, no quarto de hotel onde Leon se hospedou e a localiza clube de strip-tease, onde a replicante trabalha. Deckard mata Zhora e em seguida é informado por Bryant que também precisa apagar Rachael, que replicante que desapareceu da Tyrell Corporation e cujo criador a considerava mais humana que os humanos. Na sua caçada Deckard percebe a presença Rachael numa multidão, mas acaba atacado por Leon, mas replicante o salva matando ao agressor, usando a pistola que Deckard deixou cair durante a briga com o boneco. No apartamento de Sebastian, Roy diz a Pris que os outros teplicantes foram eliminados. O dois, julgando-se entre amigos, Sebastian revela aos replicantes que sofre uma doença degenerativa que provoca o envelhecimento prematuro das suas células, encurtando o seu ciclo de vida e apressando a sua morte. Sebastian leva Roy até o apartamento de Tyrell, onde o replicante pede a prorrogação do seu ciclo vital, uma missão considerada impossível para o seu seu criador, que teme o risco de mutações genéticas num novo processo rejuvenescedor. Isso provoca a ira da criatura contra o criador e Roy o mata depois de beijá-lo, dizendo que ele fez o melhor que pode fazer. O replicante também mata Sebastian e tem o confronto final com Deckart, que havia suprimido Pris. Roy que considera viver com medo como uma grande experiência de vida, quebra os dedos do ex-policial que voltou à ativa e o persegue quando Deckart, com os dedos da mão direita quebrados tenta escapar saltando para o telhado do prédio ao lado do de Sebastian e acaba suspenso entre os edifícios. O surpreendente é que Roy fez o salto com facilidade, e ao invés de matar o antagonista, o salva lembrando antes que em sua curta existência fez coisas que os seres humanos nunca viram ou imaginaram. Ele começa a morrer lembrando que suas memórias serão perdidas como lágrimas na chuva e querendo a resposta para saber quem é e para onde vai, uma coisa também típica dos seres humanos. Em seguida, Deckart foge com Rachael e sente que estão sendo seguidos porque encontra o origami de um unicórnio marca registrada da onipresença de Gadd. Mas neste caso, o futuro dos dois fugitivos como o nosso, a Deus pertence e o filme teve continuidade elogiada pela critica. (Kleber Torres) FICHA TÉCNICA: Titulo: Blade Runner Diretor : Ridley Scott Roteiro: Hampton Farcher. David Weeb Prople Elenco : Harrison Ford (Rick Deckard), Rutger Hauer (Roy Batty), Sean Young (Racheal), Eduard James Olmos (Gaff), M. Emmet Walsh (Capitão Bryant) Darril Hannah (Pris), William Sanderson (J.F.Sebastian), Brian James (Leon) Música : Vangelis Fotografia : Jordan Cronenweth Ano : 1982 1 hora e 47 minutos

sábado, 30 de dezembro de 2017

Metróplis: os conflitos e antagonismos no reino de Moloch


“O mediador entre a cabeça e a mão deve ser o coração” esta frase define a essência de Metrópolis, filme de ficção científica considerado um dos marcos do expressionismo alemão, dirigido por Fritz Lang, em 1926, que nos revela um mundo distópico e contraditório. O filme é uma obra-prima e continua atual na sua temática e em função da crescente agudização da relação entre ricos e pobres em decorrência da ampliação da concentração de renda na mão das classes mais abastadas em escala global, o que preocupa aos economistas e lideranças políticas dos nossos dias. O roteiro tem como base um romance de Thea von Harbou, e foi escrito por ela a quatro mãos numa parceria com o próprio Fritz Lang. Tudo começa em 2026, ou seja, 100 anos após a produção do filme, quando industriais e empresários ricos governam a futurística Metrópolis, uma cidade cosmopolita formada por uma série de torres, bibliotecas e outros equipamentos, enquanto os trabalhadores vivem muito abaixo da terra numa cidade subterrânea. Os operários trabalham para Moloch - uma referência metafórica a um demônio - operando as máquinas que asseguram o poder da burguesia sobre as classes inferiores mantendo um ciclo histórico de acumulação de capital em mãos de uma elite econômica, garantindo a concentração de renda para uma minoria e alimentando a contradição entre ricos e pobres. O filme foi produzido dez anos após a revolução russa e talvez por isso reflete de forma ficcional à questão da luta de classes, mostrando que cada homem reflete o ideal da sua classe e que entre eles não haveria diálogo possível. Metrópolis é controlada pelo magnata Joh Fredersen, interpretado por Alfred Abel, cujo filho Freder (Gustav Fröhlich) leva uma vida alienada junto com os outros filhos de papai. A vida de Freder muda com chegada de uma jovem, Maria (Brigitte Helm, que também interpreta uma Andróide / Maschinenmensch) que conduziu um grupo de filhos de trabalhadores para ver o estilo de vida privilegiado dos ricos. Maria é uma contestadora do sistema e ao mesmo tempo uma líder da classe trabalhadora e dos marginalizados. Embora Maria e as crianças fossem afastados do universo dos ricos, Freder se apaixona por ela e submerge até a cidade dos trabalhadores, que marcham sempre de forma alienada e mecânica para o mundo subterrâneo, na tentativa de reencontrá-la. Na casa de máquinas, ele vê quando uma máquina explode, provocando várias lesões e mortes nos operários, depois que um dos seus operadores cai exausto e tem de ser substituído para evitar uma catástrofe. A sequencia dos operários faz referência a duas questões sociológicas apropriadas pelos marxistas: a da anomia, a desorganização do individuo pela falta de objetivos e regras, com a perda de identidade e referenciais, em consequência das intensas transformações ocorrentes no mundo e da alienação, um momento em que os homens perdem-se a si mesmos e a seu trabalho em função da remuneração e da mais valia. Freder conta ao pai o que viu e Fredersen se aborrece. Ele demite seu assistente Josaphat, porque este não o informou sobre o acidente na fábrica . Freder tenta ajudar a Josaphat e se complica ainda mais nas relações conturbadas com o pai autoritário e controlador, que passa a vigiá-lo e vê-lo como um antagonista. A coisa se complica quando Freder volta às casas de máquinas, onde encontra o trabalhador Georgy exausto pelos esforço pelo trabalho repetitivo e mecânico, uma cena similar a de Tempos Modernos, de Charles Chaplin, rodado dez anos depois. Ele acaba tomando o seu lugar quando o operário cai exausto pelo cansaço. Os dois trocam roupas e de funções, e Freder orienta ao operário para ir ao apartamento de Josaphat e esperar por ele, o que não chega a acontecer. No filme também aparece o cientista Rotwang, um inventor havia se apaixonado por Hel, mulher que o avandonou para se casar com Fredersen. Como ela morreu no nascimento do filho Freder, ele procurou recriá-la como um robô (Maschinenmensch) e um holograma, mas perde uma das mãos num acidente, o que aumenta o rancor do cientista que planeja uma vingança – um prato que se come frio - contra o empresário, mecenas e rival no amor, que controla Metrópolis de forma autoritária. Em que pese o cientista atuar no campo da tecnologia e da ciência, que às vezes se confunde com a magia, o filme mostra neste processo alusões á magia negra através de um pentagrama e outros símbolos místicos como o próprio Moloch. O filme também tem várias referências ao ocultismo e sobre ele existem estudos quanto à sua influência na cultura pop e sobre a utilização até de símbolos maçônicos. A trama ganha impulso quando Maria profetiza a chegada de um mediador que pode trazer melhores condições para os trabalhadores. Já uma mulher fala sobre lenda da torre de Babel, que serve de referência simbólica para as torres da metrópole. O jovem Freder acredita que poderia assumir o papel de mediador, dizendo que “você me chamou e eu aqui estou”, para depois da reunião declarar o seu amor por Maria, a quem promete encontrar no dia seguinte. Como vingança contra o filho e agora antagonista, Fredersen ordena Rotwang para dar semelhança de Maria ao robô que desenvolve em seu laboratório visando disseminar a dúvida sobre os acólitos de Freder entre os trabalhadores, mas não sabe do plano secreto do cientista para destruir o único elo que sobrou entre ele e Hel, que era o seu filho e herdeiro natural do seu patrimônio. O filme tem em certos momentos um desenrolar complexo e lento para o espectador menos informado. Ele mostra que Freder não encontra Maria no encontro da catedral, mas ouve um monge pregando sobre a Prostituta da Babilônia e um apocalipse que se aproxima. Maria foi sequestrada e acaba localizada por Freder na casa Rotwang onde estava sendo transformada na imagem holográfica do robô. Assim, a falsa Maria começa a desencadear o caos em Metrópolis, ampliando a dissidência e descrença entre os trabalhadores, exortando os a se levantar e destruir as máquinas. Quando Freder a acusa de não ser a verdadeira Maria, os trabalhadores o reconhecem como filho de Fredersen e tentam agredí-lo, e quando o operário Georgy tenta protegê-lo, acaba esfaqueado e morto. A crise provoca a falência dos sistemas de segurança na cidade dos trabalhadores e inundação do lugar onde estão os seus filhos. A falsa Maria, que é uma máquina, acaba desmascarada e Freder na escadaria da da catedral, assume o seu papel de mediador ligando a cabeça metafórica do pai Fredersen, com as mãos que são os trabalhadores, associando criativamente o capital e o trabalho como fatores de produção, fazendo cumprir o que seria uma relação utópica entre os dois instrumentos que têm sido antagonizada ao longo do tempo como o yin e o yang, o positivo e o negativo, gerando uma eterna contradição agravada nos nossos dias pelo fenômeno da globalização. Será que ela está embutida no filme de Fritz Lang ? É só ver para crer. (Kleber Torres) Ficha Técnica: Título - Metrópolis Direção - Fritz Lang Roteiro - Thea von Harbou Elenco - Alfred Abel, Gustav Fröhlich, Brigitte Helm, Rudolf Klein-Rogge Theodor Loos, Fritz Rasp,) Erwin Biswanger, Heinrich George, Hanns Leo Reich, Heinrich Gotho Gênero - Ficção científica Alemanha 1927 • pb • 148 min

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Johnny ou a inutilidade da guerra e da vida meramente vegetativa


O filme Johnny Got His Gun (Johnny Vai à Guerra) não é apenas um libelo em favor do pacifismo, mas também coloca em debate uma questão controversa, a eutanásia, ao mostrar a inutilidade da vida vegetativa, que prolonga o drama do paciente, o qual sequer tem direito de opinar sobre um bem fundamental: uma vida com qualidade e com os seus prazeres cotidianos. O filme, que inspirou com usas imagens videoclipe “One”, do Mettalica, também analisa com um viés critico a função da ciência e dos avanços tecnológicos, bem como a humanização do atendimento aos pacientes terminais. Escrito e dirigido por Dalton Trumbo e baseado em seu livro homônimo, o roteiro teve ainda a participação do genial Luis Buñuel para nos contar a dramática história do soldado Johnny (Tymothy Bottoms), gravemente ferido na Primeira Guerra Mundial depois da explosão de um morteiro, quando perde os braços, as pernas e a língua, além de sofrer graves ferimentos no rosto que comprometeram a sua visão e audição. Assim, mantido num estado vegetativo e ocupando um leito especial que cobre todo o seu corpo, além de uma proteção na face, Johnny não enxerga, não fala, não ouve e não consegue nem mesmo sentir cheiros ou odores do ambiente que o cerca. Ele apenas evidencia nas suas reflexões sobre o que sente quanto tocam o seu corpo ou quando reflete sobre o seu estado vegetativo. Os médicos que o mantém vivo acreditam que em função das lesões sofridas, a vítima nem mesmo consegue sentir dor, o que o torna uma cobaia ideal para experimentos sobre a resistência humana às consequências adversas da guerra. Em sua essência o filme nos remete à discussão não piegas de temas importantes: como a questão da humanização do atendimento pelos profissionais de saúde aos pacientes, o limite para a realização de pesquisas científicas e as consequências devastadoras da guerra, que tem custos sociais e humanos elevados, mas se revela inútil pelo seu impacto destrutivo dos bens materiais e por semear a morte de forma indistinta para jovens e velhos, além de provocar mutilações irreversiveis. A eutanásia é uma questão à parte porque de nada adianta uma vida vegetativa, além do mais quando o paciente consciente clama pela própria morte e não tem nem familiares e nem amigos. O problema maior é que mesmo sem identificação e sem parentes que o reconheçam,Johnny é mantido vivo apenas para subsidiar estudos sobre a privação dos sentidos e dos movimentos corporais. O fato é que mesmo em condições adversas e sem contatos afetivos com o mundo exterior que lhe é adverso, o soldado vai tomando consciência das suas perdas dia a dia, seja quando fazem a retirada dos pontos dos membros amputados ou quando percebe que não tem movimentos corporais e sente um medo profundo quando nota a presença de uma ratazana caminhando na sua cama e ameaçando o seu corpo inerte. Neste ínterim e em meio ao sofrimento e à angustia, ele lembra da namorada Kareem (Diane Varsi), da despedida romântica facilitada pelo sogro que lhe proporcionou uma noite de amor ou do jogo de cartas com outros soldados antes dos combates. Misturando sonhos com lembranças confusas do passado, Johnny se conscientiza de que não apenas ele, mas todos os seres vivos estão condenados a uma morte inexorável. O problema é que ele não sabe nem mesmo se está acordado ou dormindo envolvido num clima de torpor. O personagem também questiona qual o médico o deixaria naquele estado e ainda vivo, mas os pesquisadores que o mantém em vida vegetativa falam com euforia dos avanços da ciência e da possibilidade de reenvio para as frente de combate dos soldados feridos e até amputados num prazo de três semanas, ou seja, apenas após o prazo de cicatrização dos ferimentos. O soldado inerte relembra também da infância, das pescarias e do pai, a quem pede ajuda inutilmente nos seus pensamentos e que por estar morto, já não o escuta e nem atende. Lembra ainda das conversas com o pai sobre a democracia como qualquer tipo de governo em que os jovens se matam nas frentes de combate. O pai também lhe ensina de forma nietzscheana, que todo homem deve enfrentar a morte sozinho. Em que pese a assepsia do hospital e os cuidados que recebe, inclusive de uma jovem enfermeira que acaricia às vezes o seu peito, as coisas parecem mudar no filme quando uma nova enfermeira chefe inicia um atendimento mais humanizado a Johnny, pois o mesmo havia sido escondido em um quarto isolado, distante das pessoas e dos olhares piedosos. Assim enfermagem passa a oferecer um pouco de dignidade ao paciente, dando maior atenção a ele, tentando tirar Johnny do completo isolamento e o jovem de 20 anos sente a mudança e se anima no dia em que abrem a janela do quarto onde recebe com prazer do calor da luz do sol aquecendo sua cama, mas um dos médicos recomenda que fechem as cortinas para que ninguém o veja. Ele compara a sua situação como um circo dos horrores e pensa até na sua família o utilizando como uma aberração circense. Relembra da namorada Kareen e de uma relação com uma prostituta distante no tempo e no espaço. Também lembra do pai que o aconselha a usar a cabeça e ao verificar que possui os movimentos da cabeça ativos, ele tentar se comunicar com as pessoas através de Código Morse pedindo socorro ao transmitir um SOS. De início, sua tentativa é confundida pelos médicos como simples espasmos musculares ou uma convulsão, quando lhe aplicam pesados tranquilizantes. Só depois de algum tempo um soldado que estava no hospital e que integrou uma junta médica interpretou a mensagem telegráfica e entrou em contato com o paciente batendo telegraficamente na sua testa, descobrindo que o soldado mutilado está consciente e ainda pode se comunicar com a cabeça. Johnny pede que o exibam para as pessoas e para o mundo "numa gaiola de vidro e mostrem ao mundo o horror da guerra, ou matem-me". O pedido de morte se repete sempre quando percebe que tem visitas. Uma enfermeira caridosa e penalizada pede perdão a Deus e tenta matá-lo por sufocamento, mas acaba impedida por um médico militar. O filme termina com o personagem mantido na sua cama, lembrando que nas guerras mundiais morreram 80 milhões de pessoas e outros 150 milhões acabaram feridas, números que revelam a prevalência de uma epidemia de violência e de insanidade. (KLeber Torres) FIcha técnica Titulo: Johnny Got His Gun (Johnny vai à Guerra) Direção: Dalton Trumbo Roteiro: Dalton Trumbo e Luis Buñuel Elenco: Tymothy Bottoms, Jason Robbards, Donald Sutherland, Diane Varsi, Kathy Fields Gênero : Drama e Guerra Indicações: Prêmio Globo de Ouro: Melhor Ator Revelação do Ano Estados Unidos 1971 Preto e Branco 111 minutos

sábado, 25 de novembro de 2017

O desafio da viagem no tempo e a ficção científica


O History Channel exibiu recentemente o documentário “A Verdadeira História da Ficção Cientifica”, que em realidade é a história da imaginação, até porque uma das ideias mais instigantes é a da viagem no tempo, um processo em que as pessoas transitam do presente para o futuro ou para o passado remoto, um tema que atrai grandes escritores e cineastas famosos, encantando leitores e telespectadores. A questão não é nova e em 1895, H.G.Wells publicou o antológico “Máquina do Tempo” (The Time Machine) em que um inventor criativo constrói um equipamento capaz de transportá-lo no tempo levando-o em direção ao futuro. Vale lembrar que este livro foi escrito na época vitoriana, um período de mudanças marcado por um grande desenvolvimento econômico e industrial da Inglaterra, além das conquistas coloniais de novas terras e novos horizontes. Na Era Vitoriana, a Inglaterra tornou-se o país mais rico e poderoso do mundo. Além do mais, Wells explorou de forma criativa uma série de temas que foram mais tarde aprofundados por outros escritores de ficção científica, e que ganharam repercussão junto à critica e ao público em livros como A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Guerra dos Mundos, que ganharam adaptações cinematográficas. Outra obra importante e que chegou as telas quase um século depois foi o filme de “Volta ao Futuro”, dirigido por Robert Zemeckis, escrito por ele em quatro mãos com Bob Gale e estrelado por Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover e Thomas F. Wilson. O filme conta a história de Marty McFly (Michael J. Fox), um adolescente que volta no tempo até 1955 com a ajuda de um cientista Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd), com uma excelente interpretação. Nesta viagem no tempo em um veículo adaptado e movido pela energia de um raio, ele conhece seus futuros pais no colégio e acidentalmente faz sua futura mãe ficar interessada sentimentalmente por ele. Para evitar o que seria um paradoxo e um desastre, Marty deve consertar o que seria um erro na história fazendo com que seus pais se apaixonem e, para isso contaria com a ajuda do amigo cientista para encontrar um modo de voltar para 1985. Em sua essência, a ficção científica reflete um universo de criatividade de escritores e roteiristas, que se inspiram pensando coisas novas e buscando novas ideias, o que deu uma nova dimensão à questão da viagem no tempo. A questão também envolve paradoxos como o de uma pessoa alterando o passado, o que implicaria em mudanças no futuro – um exemplo seria você encontrar os seus avós no passado e os matando, mesmo circunstancialmente, inviabilizaria o seu nascimento no futuro. A história da ficção cientifica também tem como referência um clássico do cinema Metropolis, de 1927, um longa metragem dirigido por Fritz Lang, que nos mostra uma sociedade distópica, bem como a contradição entre ricos e os pobres, numa referencia à luta de classes, os quais vivem à margem num mundo subterrâneo, que seria uma metáfora das grandes distorções entre os que têm dinheiro e os desvalidos. O roteiro foi baseado em romance de Thea von Harbou e escrito por ela, em parceria com Lang, que dirigiu o filme mais caro e considerado um marco do expressionismo, sendo uma referência para o nosso tempo. Outro destaque no documentário sobre ficção cientifica é o conto “Um Som de Trovão” (A Sound of Thunder), de Ray Bradbury, publicado originalmente na revista Collier's em 1952 e que permanece em primeiro lugar entre as dez histórias de FC mais reimpressas em todos os tempos, contando a história de uma viagem no tempo para caçar dinossauros. Assim, para evitar aquilo que seria um paradoxo temporal, os personagens agem com cuidado para deixar o curso dos acontecimentos intacto, visto que mesmo uma alteração mínima poderia gerar mudanças no futuro. Desta forma os viajantes só poderiam abater animais que iriam morrer em breve, que estavam em fase de extinção, e não poderiam sair de uma trilha demarcada previamente, que flutua acima do solo. O problema é que numa destas incursões, um dos caçadores pisa casualmente em uma borboleta, e, ao voltar ao futuro, redescobre o mundo completamente mudado, imerso no mais absoluto caos. A questão tem como parâmetro a da teoria do caos, em que uma borboleta bate asas na China e pode gerar uma tempestade em outro continente. O documentartio incursiona ainda em “Uma aventura fantástica” de Bill e Ted, uma comédia americana com Keanu Reeves e Alex Winter, em 1989 e Doctor Who, uma série de ficção científica britânica, produzida pela BBC desde 1963, mostrando as aventuras do Doutor, que viaja no tempo para salvar as civilizações, ajudar as pessoas comuns e corrigir erros. As referências incluem ainda TX 1118, dirigido por George Lucas, que leva numa viagem ao futuro, a um mundo distópico em que as pessoas vivem em grandes cidades subterrâneas e onde as emoções são controladas por meio de medicação obrigatória. Também são referencias históricas do rico universo de ficção cientifica o Logans Run (Fuga do Século XXIII), um filme americano de ficção e que deu origem a uma série de televisão em 1977. Mas, o grande marco da Ficção Cientifica é, sem dúvida, o Blade Runner, de Ridley Scott, com Rutger Hauer e Harrosin Ford, que tem como cenário uma decadente e futurista Los Angeles em novembro de 2019, afetada pela poluição, pelo consumismo exacerbado e a consequente busca de novas formas de colonização, um processo para o qual as pessoas são convidadas a se aventurarem, em viagens interplanetárias, em face do colapso da civilização, numa falência em termos materiais e morais. O diretor Ridley Scott foi visionário na medida em que a globalização tão amplamente acentuada nas últimas décadas, encontra no filme, um final catastrófico, melancólico e deprimente, com animais extintos clonados e replicados a exemplo dos replicantes humanos, como sói acontecer com uma profusão de culturas, etnias, credos e costumes.Tudo ocorre tal qual podemos vislumbrar o preâmbulo nas sociedades hodiernas, onde metade das coisas que fazemos não funcionam, não fazem sentido e geram uma crise existencial mostrando que a vida é confusão e o caos inexorável.. Blade Runner nos revala um padrão de visão do futuro em termos de linguagem, e o próprio Harrison Ford ficou inteiramente confuso com as frase e xingamentos de um androide, numa mistura de línguas ocidentais e orientais, que se fundem e se completam, como ocorre hoje num mundo cada vez mais globalizado. BR explora a própria crise da América, com uma sociedade cada vez mais urbana e desintegrada. O filme ocorre no momento em que o sonho americano começava a desmoronar. Mas os filmes de ficção científica saem dos limites estritos daiagem no tempo e da caça de andróides, para emergir na invasão da privacidade, com telefones e câmeras monitorando a vida da pessoas, ações que também são acompanhadas por drones, neste caso uma referência é 1984, de George Orwell. No filme “12 Macacos” a humanidade é ameaçada por um vírus letal e cabe a Bruce Wills evitar a catástrofe final. A ficção cientifica também nos remete a uma situação esdrúxula, ou seja, ao homem assistir a sua própria morte. Também nos deixa cara a cara com “Looper” (Assassinos do Futuro), de 2012), que nos fala do salto quântico na viagem no tempo. Assim, cabe questionar como este tipo de viagem em outra dimensão afeta as pessoas. O problema é saber qual a história que queremos, os valores e afinal num universo real ou de ficção, sabermos o que realmente somos ou para onde vamos. (Kleber Torres)

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A simplicidade e repetição no humor chapliniano


A Revista de Chaplin (The Chaplin Revue) reúne três histórias diferentes dos anos 20, período do cinema mudo, que nos revelam a essência da comédia e das histórias nem sempre roteirizadas de Charles Chaplin, que antecedeu Glauber Rocha no sentido de utilizar uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. O humor chapliniano tem como base poucos personagens, simplicidade na ação e a repetição dos “gags”, ou seja, efeitos cômicos que, numa representação, resultam do que o ator faz ou diz, jogando com o elemento surpresa ou o fato insólito, que vai além das expectativas da razão e atinge muitas vezes os limites do surreal. Na primeira história, Vida de Cachorro (A Dog’s Life) um vagabundo (Charles Chaplin), que não tem nem sequer onde dormir e vive vagando sem emprego pelas ruas sem conseguir nada, sobrevive de pequenos furtos de alimentos e frequentando ambientes nem sempre recomendáveis como o Lanterna Verde, um ambiente cheio de malandros e golpistas, acompanhados de garotas de programa. Certo dia, vendo uma briga de cachorros na rua disputando alimentos, ele acaba adotando um vira-lata a quem dá o nome de Scraps. Neste ínterim, o cachorro de Chaplin acha um dinheiro roubado por ladrões e ele se envolve numa disputa da qual sai vitorioso. Depois, se estabelece no campo, com a mulher e o cachorro, aliás uma cadela com as suas crias. No segundo filme, o vagabundo (Charles Chaplin) é um soldado desajeitado, que faz tudo ao contrário, em treinamento para guerra. O filme utiliza imagens reais das trincheiras ma Primeira Guerra Mundial com seus horrores de mortes sem sentido, disputas áreas limitadas de terra minada e uso de gases químicos, altamente tóxicos mas de efeitos letais para milhares de vitimas. O fato é que Chaplin apesar de ser um patinho feio num exército de pessoas normais, acaba virando herói, rendendo primeiro um pelotão de alemães; depois eliminando inimigos disfarçado de árvore e por fim, prende o Kaiser, numa ação também fora de qualquer lógica e sentido. O problema é que tudo não passa de um sonho e ele acorda no acampamento em que está sendo treinado para a guerra, ou seja, a luta da vida contra a morte, que sempre acaba vencendo no fim. No terceiro filme, um foragido (Charles Chaplin) se disfarça de padre para fugir do presídio, mas acaba sendo confundido com um pastor que ia fazer uma pregação pequena cidade de Devil's Gulch. Depois de se meter em trapalhadas durante a pregação, fazendo uma paródia sobre David e Golias que agrada a um moleque do público e lhe rende aplausos, ele depois tem como rival um ex-colega de cela, um ladrão incorrigível que tentava roubar os seus acólitos. Chaplin também enfrenta um menino mal educado, que não respeita os pais e nem a ele, e, além de chutar o menino por duas vezes – o que nos dias de hoje seria politicamente incorreto para os puristas -, também se envolve na confecção de um bolo, colocando glacê sobre o chapéu do pai do menino sapeca, mostrando que o riso escapa das fórmulas prontas e acabadas , evidenciando os caminhos para compreensão de Chaplin, que encarou os problemas do início do século: o avanço da exploração do petróleo, do cinema e da aviação, três fenômenos globalizados e que tiveram impacto na vida de todos nós, mas também contribuíram para achados cômicos e inteligentes, porque o humor é um indicador de inteligência e de visão critica da realidade. (KLeber Torres) Ficha Técnica: Título original: A Revista do Chaplin (:The Chaplin Revue) Data de lançamento 1959 Direção: Charles Chaplin Elenco: Charles Chaplin, Henry Bergman, Edna Purviance Gênero: Comédia Nacionalidade Reino Unido/ EUA Cor Preto & Branco 128 minutos