quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024
O humor eterno de um trapalhão que transitou no samba, na televisão e no cinema
O humor eterno de um trapalhão que transitou no samba, televisão e no cinema
Para quem não estava macetando no Carnaval e nem preocupado com o apocalipse ou mesmo o arrebatamento do juízo final, uma opção de lazer com humor e samba ficou para o documentário “Mussum, o Filme do Cacildis”(2018), exibido pelo Cine Brasil e biográfico “Mussum, o Filmis”(2023), no TV Brasil Play, que pode ser acessado através de streaming. O primeiro, foi um documentário narrado por Lázaro Ramos, assinado por Suzanna Lira, que dirigiu Torre das Donzelas e Clara Estrela e o segundo, de Silvio Guindane, a partir de um livro do escritor e roteirista Juliano Barreto.
Em essência, “Mussum, um Filme do Cacildis”, é um documentário sobre a vida e a carreira do humorista e sambista Antônio Carlos Bernardo Gomes, mais conhecido como Mussum, que morreu aos 53 anos após um transplante de coração. O filme começa com uma explicação didática sobre forever, que em inglês significa para sempre e que dá a dimensão eterna de um artista. Mas forevis, da linguagem mussunica com seus is nos finais das palavras, é outra coisa, definindo inclusive uma parte retrofuricular do corpo que a terra há de comer.
Como artista Mussum foi humorista e sambista, destacando-se um dos integrantes do grupo Os Trapalhões, que fez muito sucesso na televisão brasileira nas décadas de 1970 e 1980, falando a linguagem do povo e mostrando Didi, como um nordestino sofrido e esperto; Dedé, como um galã da periferia; Zacarias, um mineirinho caipira e Mussum, como um malandro mangueirense e um carioca do morro. Ele também foi vocalista do grupo Os Originais do Samba, que misturava samba e humor em suas músicas, como a do antológico assassinato do camarão.
“Mussum, um Filme do Cacildis” é narrado com depoimentos de familiares, amigos e colegas de trabalho de Mussum, além de imagens de arquivo e cenas de seus filmes e programas. O filme também revela uma outra face do artista: o lado mais sério e engajado de Mussum, que lutou contra o racismo e a desigualdade social, usando o humor como uma forma de resistência e de afirmação da sua identidade negra.
Baseado no livro “Mussum Forévis – Samba, Mé e Trapalhões”, de Juliano Barreto, que assina o roteiro de “Mussum, o Filmis” (1923), dirigido por Silvio Guindane e estrelado por Aílton Graça como Mussum. O filme, premiado no 51º Ferstival de Cinema de Gramado, abocanhando seis prêmios e uma menão honrosa – como melhor filme, melhor ator, melhor atriz e melhor ator coadjuvante, além da melhor trilha musical e melhor filme no júri popular- narrando a trajetória do artista desde a infância pobre, sua formação escolar, carreira miitar, sua ligação com a Mangueira, o Flamengo e o sucesso de Antônio Carlos Bernardes Gomes, integrante do grupo Os Originais do Samba e de Os Trapalhões.
O filme resgata a sua trajetória como sambista e passista, além de gags do humorista e cenas antológicas dos Trapalhões na televisão e no cinema, registrando a participação arttística de Carlinhos do Reco-Reco rebatizado como Mussum por Grande Otelo. Também mostra a sua relação com a mãe Malvina (Cacau Protásio) e com os seis filhos, revelando como um menino do morro chegou ao estrealato e hoje refulge com seu humor na eternidade através do cinema e dos livros.(Kleber Torres)
Ficha técnica :
Título : Mussum, o filmis
Direção : Silvio Guindane
Roteiro : Juliano Barreto
Elenco : Ailton Graça,Vanderlei Bernardino,Neusa Borges, Gero Camilo, Jeniffer Dias, Késia Estácio, Cinara Leal, Thawan Lucas, Yuri Marçal, Cacau Protásio,Felipe Rocha, Hugo Germano, Gustavo Nader, Christiano Torreão
Diretor de Fotografia : Nonato Estrela
Música : Max Castro
Colorido
2022
Brasil
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024
As metáforas e símbolos da luta pela vida em um mundo distópico
As metáforas e símbolos da luta pela vida em um mundo distópico
Como nos filmes policiais do tipo noir, com uma atmosfera sombria, ambientação urbana, temática criminal e anti-heróis, a história de “Blade Runner – O Caçador de Andróides”(1982), de Ridey Scott, considerado um clássico da ficção científica, é narrada na terceira pessoa, a partir do ponto de vista de Rick Deckard (Harrison Ford). Ele é um caçador de andróides convocado para recolhimento, ou seja, eliminação sumária de quatro replicantes mais avançados, do tipo Nexus 6, considerados de útima geração, que escaparam de uma colônia espacial, cometeram uma série de assassinatos e voltaram para a Terra em busca do seu criador. O filme discute através de metáforas, diálogos instigantes e símbolos em profusão a questão da vida e a essência do medo, além de revelar as incertezas existenciais do amanhã e da própria morte.
Blade Runner também revela o ponto de vista de Roy Batty (Rutger Hauer), um dos villões icônicos do cinema, que lidera os replicantes na busca para encontrar o seu criador para tentar prolongar a sua vida útil, que tem a duração limitada a um período médio de quatro anos. Mostrando como cenário uma Los Angeles futurista e decadente, a partir de novembro de 2019, o filme une técnicas expressionistas acentuadas pelo contraste entre luzes e sombras, tendo como pano de fundo uma atmosfera sombria, complementada com uma trilha sonora de música eletrônica de Vangelis, com uma mistura jazz, sintetizadores e elementos neoclássicos.
O filme, baseado na novela “Do Androids Dream of Eletric Sheep” (Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas”, de Philip K. Dick, sobre um futuro distópico em que humanos convivem com replicantes num mundo caótico e em decadência apesar dos avanços e dos recursos tecnológicos disponíveis. Bade Runner não só utiliza efeitos fotográficos especiais, como também revela uma série de símbolos e metáforas que podem servir de pistas ao espectador para a compreensão da obra e mesmo com relação a mensagens e temas específicos, a exemplo do olho que emerge nas sequências iniciais ou mesmo do unicórnio, da chuva e os origamis.
Tudo começa quando um ser humano artificial (replicante) detido pela polícia, Leon (Brion James) se rebela num teste de rotina e mata o seu examinador, que faz uma série de perguntas encadeadas para checar suas reações e identificar se o mesmo seria ou não, um ser humano. A crime faz com que o detetive Rick Deckard, um velho caçador de andróides, seja convocado por um oficial de polícia para a caça de um grupo de quatro replicantes que estão à solta nas ruas de Los Angeles, depois de sequestrarem uma nave que ia a uma colônia espacial, matando todos os passageiros e tripulantes.
O poicial destaca para Deckard que quem não é da polícia, é da escória e estaria fora do sistema. Ele também apresenta os dossiês com informações do líder da rebelião Roy Batty, bem como de Leon, de Zhora (Joanna Cassidy), criados para trabalhos cansativos na mineração, não adequados aos humanos e Pris (Daryl Hannah), projetada como um modelo básico e prazer.
No preparo para sua nova missão, Rick Deckard entrevista Rachel (Sean Young), uma suposta repicante, que questiona ao policial se ele não havia cometido erros ao confundir humanos com andróides. O teste em si envolve uma série de 20 a 30 perguntas com referências cruzadas, que devem ser respondidas de forma simples e objetiva. Ele acaba suspeitando que Raquel não seja, talvez, uma replicante, mas a dúvida fica no ar.
Na tentativa de chegar ao seu criador, Roy encontra um técnico que produz os olhos dos replicantes e este lhe indica J.F.Sebastian (William Sanderson), especialista em robótica da Tyrell, empresa fabricante de andróides em laboratório e que opera em escala industrial. Ao mesmo tempo, Rick Deckard localiza Pris numa casa noturna, a quem se apresenta como integrante de uma comissão de investigação de assuntos éticos, ou seja, assédio moral, mas acaba matando-a com um tiro nas costas após uma perseguição nas ruas de LA.
Observado em ação por Leon, o policial acaba atacado por ele dizendo: “acorde, é hora de morrer”. Leon fala sobre a essência do medo e, depois de uma luta intensa, acaba morto por Rick Deckard. Já Sebastian, que sofre da síndrome de Maqtusaém, a qual provoca o seu envelhecimento precoce, constata, no seu encontro com Roy e Zhora, que eles são diferentes e perfeitos, uma caracteristica do Nexus 6, a útima geração de replicantes. Roy lhe explica que eles não são computadores criados em laboratórios, mas seres vivos que querem a duração de suas vidas ampliadas e ele o leva ao desenvolvedor do projeto com quem joga xadrez online regularmente.
No encontro com Roy, o doutor Eldon Tyrell, cientista responsável pela produção de andróides e lider do grupo empresarial que leva o seu sobrenome, pergunta qual é o problema que aflige ao replicante que responde: “a morte. Eu quero viver”. O cientista contrargumenta mostrando que o código genético não pode ser corrigido e os riscos decorrentes deste procedimento, o que envolve um debate acadêmico, observando: “você foi feito da melhor forma possível. Você é o fiho pródigo, é o prêmio... comemore o seu tempo. Você fez coisas extraordinárias, aproveite a vida”. Num gesto edipiano, Roy acaba cegando com as mãos e matando ao seu criador.
Na sequência,Rick Deckard acaba eliminando Zhora e enfrenta a Roy numa luta violenta, mas decisiva. Inexplicavelmente, num lampejo humano, o replicante que confessa ter visto coisa que os humanos não acreditariam, acaba salvando o policial evitando que o mesmo caísse do prédio onde lutavam e acaba morrendo devido à extinção do seu ciclo de vida. Deckard conta quer não sabe porque foi salvo pelo andróide, talvez o seja porque ele amou a vida que queria viver. Talvez suspeitando que também seja um replicante, ele acaba indagando sobre quem é, para onde vai, ou quanto tempo de vida tem, mas lamentando, ser uma pena que ele (Roy) não vai viver, mas afinal, quem vive?
Ao reencontrar com Raquel, ela questiona Deckard que se fugisse para o norte, ela seria seguida pelo policial ao que o mesmo respondeu: “não, porque você salvou a minha vida...Mas alguém iria”. Ela também indaga sobre os arquivos existentes sobre ela, com data de oigem, morfologia e outros dados pessoais, ao que o policial responde que são informações confidenciais. Ele também comenta que adora música e não sabia que ela tocava.
Mesmo retrantando um mundo distópico e sombrio, Blade Ruinner tem na primeira das muitas cópias conhecidas um final feliz, com o policial e Raquel fugindo para uma terra bafejada pelo sol. Em tempo: quando os dois estão deixando LA, Deckard acha um origami de unicórnio, o que reforça a dúvida no ar de que ele também seja um replicante.
Os críticos consideram que existem pelo menos três versões básicas do filme : a versão dos produtores, que foi aos cinemas em 1982; a versão do diretor, que foi lançada dez anos depois, e a versão final, editada pelo próprio Ridley Scott em 2007, com a sua versão pessoal. Mas ao que consta existem sete versões ao ongo do tempo. Ao espectador, cabe observar que cada versão apresenta diferenças pontuais na narração, mas, no final das contas e em essência, as mudanças de alguns detalhes da história não alteram a narrativa e o enredo, mostrando que existem diversas formas para narração e que são infinitos os limites da criação ou mesmo para fruição de uma obra de arte. Em 2017, o filme ganhou uma sequência Blade Runner 2049, dirigida por Denis Villeneuve e estrelada por Ryan Gosling e o próprio Harrison Ford, já envelhecido, 30 anos após o início da distopia e revelando um novo olhar sobre o caçador de andróides, quando o policial encarregado de caçar e eliminar replicantes levanta novas pistas sobre um segredo que pode mudar o destino da humanidade ou da própria história.
Em essência, Blade Runner nos alerta sobre o futuro e os avanços tecnológicos, em função dos perigos do consumismo exagerado, da exploração intensiva dos recursos naturais e com o aumento da desigualdade social, gerando concentração da renda. O fime mostra uma Los Angeles poluída, superpovoada e violenta, onde os animais estão em extintos e as pessoas vivem em condições precárias.
O filme também envolve um debate existencial sobre a função de ser e estar (vivo) num mundo com seus contrastes e circunstâncias, ampliando o debate sobre o que nos torna humanos e o que nos diferencia dos andróides, que não têm uma história de vida e ganham referenciais históricos através de informações fotográficas de outros viventes, que foram simplesmente implantadas em suas memórias.
Blade Runner também nos faz refletir sobre o valor da vida e o respeito pelo outro, e quem sabe, sobre o amor ao próximo ou mesmo ao distante quando a trama envolve seres humanos e andróides, isso nnum tempo em que a inteligência artificial ganha vida, assume protagonismos e dá novos contornos a este vasto universo com todas as possibilidades. Todo este conjunto de fatores complexos nos convida a pensar sobre o papel da tecnologia e as suas consequências, afinal, neste contexto a memória, a história e a linguagem são construídas, manipuladas e fragmentadas, podendo ser implantadas ou simpesmente deletadas, colocando em cheque a própria realidade e a existência de cada um de nós como seres efêmeros e transitórios. (Kleber Torres)
Ficha técnica :
Título : Blade Runner (Bade Runner – O Caçador de Andróides)
Direção : Ridley Scott
Roteiro : Hampton Fancher e David Peoples
Elenco : Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Edward James Olmos, M. Emmet Walsh, Daryl Hannah, William Sanderson, Brion James, Rian Gosling, Joe Turkel, Joanna Cassidy
Diretor de fotografia : Jordan Cronemweth
Visual Futurista : Syd Mead
Supervisão de efeitos fotográficos especiais: Douglas Trumbull e Richard Yoricich
Music : Vangelies
Origem : Estados Unidos e Hong Kong
Colorido
2 h e 3 minutos
1982
quarta-feira, 10 de janeiro de 2024
O que fazer quando o tempo se transforma num bem de consumo?
O tempo é o bem mais precioso do universo e esta é uma das lições do filme “O Destino de Júpiter” (Jupiter Ascending), uma obra de ficção científica, aventura e ação intergalática dirigido e roteirizado pelas irmãs Lily e Lana Wachowski, que também assinaram a série Matrix, considerado um dos maiores clássicos sci-fi da história do cinema. O enredo tem como foco a história de Júpiter Jones (Mila Kunis), que leva o nome do mais belo planeta do sistema solar, filha de uma família de origem russa, que vive modestamente como uma empregada doméstica em Chicago, nos Estados Unidos e, é ao mesmo tempo, numa espécie de universo paralelo, descendente de uma linhagem nobre interestelar, o que a coloca como sucessora natural do trono como presumível Rainha do Universo.
No início do filme, a personagem se autodefine como uma alienígena em situação irregular – o que seria uma espécie de imigrante sem passaporte -, nascida sob o signo de leão, com Jupiter a 23 graus, o que a torna destinada à grandeza. Ao tentar conseguir dinheiro vendendo óvulos numa clínica para a compra de um telescópio similar ao de seu pai, uma astrônomo amador que morreu durante um assalto ao tentar proteger o equipamento, ela recebe a proteção de Caine Wise (Channing Tatum), um ex-militar alterado geneticamente que tem por missão protegê-la a todo custo e levá-la para assumir seu lugar de direito em outro planeta fora do sistema solar.
Wise explica a Júpiter que a terra não é o único planeta habitável no universo e que há vida inteligente na galáxia. Ele explica ainda, que a raça humana foi desenvolvida em outro planeta há um bilhão de anos e a Terra foi semeada pela Indústria Abrasax, controlada por uma família do mesmo nome, há cerca de 100 mil anos gerando uma nova era da genética, um processo continuo de manipulação de gens em que as células danificadas são substituídas por novas, o que torna o planeta dos terráqueos uma parte mínima de uma indústria ampla e complexa de genes que opera numa escala interplanetária.
Fica evidente no filme, que só há um recurso fundamental que vale a pena lutar e morrer: o tempo, que aparece como o bem mais precioso numa dimensão universal. “O Destino de Júpiter” embute em sua essência uma crítica ao consumismo da nossa civlização e à posse de bens , o que leva o espectador a refletir sobre hábitos de consumo e a valorização de posse de recursos materiais. A obra também discute sobre a questão do poder político e econômico, bem como das comunidades, grupos com interesses difusos, corporações, a família ou mesmo o bem-estar coletivo, sem deixar de lado a essência dos valores e da transvalorização.
“O Destino de Júpiter” evidencia ainda questionamentos sobre a burocracia – crítica implícita para a posse da nova Rainha do Universo – negociada através de um advogado ciborgue, que também faz referências à corrupção que estaria fora do seu escopo. Há ainda referências ao papel da mulher na sociedade, mesmo quando uma proletária que faz limpeza de sanitários se descobre herdeira de uma linhagem nobre intergalática, o que coloca em pauta questões como as mudanças sociais e o enfrentamento de desafios e mesmo da adversidade.
Tudo isso também passa pela exploração econômica através dos monopólios e pela desigualdade para promoção de uma efetiva justiça social, o que coloca na agenda do processo temas como a coragem e a resiliência do indivíduo na eterna luta pela sobrevivência dos seres vivos.
De certa forma o filme compartilha algumas semelhanças com “Matrix”, uma outra obra assinada pelas irmãs Wachowski, uma vez que ambos exploram o fato de que a realidade como a conhecemos pode ser uma ilusão controlada por forças poderosas. Nos dois filmes os personagens centrais são pessoas comuns como Neo, um programador de computadores escolhido para libertar a humanidade num universo controlado por máquinas e Júpiter, uma faxineira que acaba arrebatada para um universo paralelo por ser uma reencarnação de uma rainha intergalática. Ambos têm uma missão especial no universo e um destino transcendente.
Outro ponto em comum nos dois filmes é a crítica política aos sistemas dominantes. Em “Matrix” a humanidade é submetida ao domínio de máquinas através de uma realidade virtual, o que gera uma revolução, enquanto no caso de “O Destino de Júpiter” o planeta foi terraformado para suportar um ecossistema com seres vivos como parte de uma grande indústria cósmica, que operam ativos genéticos de homens e animais.
Há que atribua ao filme – que é rico em efeitos especiais e lutas espaciais - influência parcial da “Odisseia”, de Homero, um clássico da literatura universal, tendo como referência as peripécias de Ulisses na Grécia Antiga ou com o conto de fadas francês “A Bela e a Fera”, de Gabriellle-Suzanne Barbot, o que é desacreditado por alguns críticos, os quais também não veem similaridade entre os mesmos. São risíveis alguns diálogos que escapam ao humor refinado, como por exemplo, quando a rainha se declara apaixonada pelo seu protetor, o qual tem no seu DNA gens de cachorros, um animal que diz amar.
Em outra cena, o tabelião da corte estelar dá os parabéns e pêsames à nova rainha, prevendo as possivelmente dificuldades que iria enfrentar no confronto com os Abrasax: Balem ( Eddie Redmayne), Titus (Douglas Booth) e Kalique (Toppence Middleton), que formam uma família disfuncional e com estratégias conflitantes no controle dos seus negócios monopolistas. O próprio Titus diz em determinado momento, que gosta das próprias mentiras que conta.
Em essência, ao criar vidas e destruí-las em função de interesses econômicos, a família e conglomerado Abrasax define como prioridade de negócio a geração e maximização de lucros, como acontece com os demais empreendimentos econômicos. Eles ensinam também com relação ao consumo, que viver é consumir e os seres humanos são consumidores vorazes vivendo num mundo e num universo em que os recursos naturais são escassos, inclusive o tempo, que aparentemente estaria fora deste contexto por não ter uma essência física como os minerais, a água e o ar, que se transformam em capital inclusive especulativo. Mas seria está a única regra e solução da equação do jogo da vida? (Kleber Torres)
Ficha técnica:
Título : O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending)
Direção e Roteiro : Lily Wachowsky e Lana Wachowsky
Elenco : Mila Kunis, Channing Tattum, Sean Bean, Doona Bae, Nikki Amuka-Bird, Maria Doyle Kennedy, Christina Cole, Eddie Redmayne, Douglas Booth, Tuppence Middleton, Frog Stone, Arion Bakare, Ramon Tikaram e Nicholas Newman
Fotografia: John Toll
Música: Michael Giacchino
Edição: Alexander Berner
Efeitos visuais : Dan Glass
2015
Estados Unidos
2h07minutos
sexta-feira, 29 de dezembro de 2023
Uma viagem à Xinilândia com passagem por Quixeramobim
O humor não morreu e escapa à rigidez do politicamente correto através da esculhambação ou até do palavrão com duplo sentido como não caso da cerveja Cold Bier. O achado parece evidente em “Bem-vinda à Quixeramobim”(2022), um filme de Helder Gomes, que também assinou a série “Cine Holliúdy”, além de “Os Parças” e “Shaolin do Sertão”. O filme narra os perrengues enfrentados pela influenciadora digital Aimee (Monique Alfradiquee), uma mulher com pouco mais de trinta anos, herdeira de um empresário milionário envolvido em um caso de corrupção após uma série de crimes e fraudes, o que descriminaliza a classe dos nossos políticos.
Com muitos seguidores nas redes sociais, a influencer vê os seus bens e de sua família bloqueados pela justiça. Assim, sem o dinheiro do pai para se sustentar, Aimée tenta se refugiar na última propriedade da família que resta: uma fazenda com uma casa em ruínas em Quixeramobim, no interior do Ceará, que teve uma parte vendidas a uma cervejaria, que comete um crime ambiental ao desviar a água do abastecimento da população para manter a produção industrial.
Na tentativa fazer algum dinheiro, ela acaba chegando a Quixeramobim num pau de arara estilizado e se hospeda num estabelecimento que funciona como Pousada Paraíso durante o dia ou como o bordel Xinilândia, no período noturno, onde passa a conviver com as prostitutas de plantão, ocupando a principal suíte da casa.
Ali, ela resgata a história das suas origens maternas e tenta vender a propriedade, Para esconder as dificuldades financeiras que enfrenta, ela inventa um "período sabático", passando um ano por cenários criativos da África, Europa e do Oriente Médio, tudo a partir de paisagens do Nordeste do Brasil. sustentando a grande mentira sobre riqueza e viagens produzidas para as redes sociais.
Mesmo com o humor e uma participação especial de Marcondes Falcão, que interpreta Aurenizo, o qual além de frequentador do bordel, também tem uma participação musical com o clássico I’m not dog, no (Eu não sou cachorro, não) na trilha sonora, o filme ensina que “dinheiro não é tudo,mas é 100%”, uma frase tirada do arsenal do cantor e pensador cearense, que dá a sua contribuição filosófica para compreensão do que nos leva ao caminho da impunidade. O outro achado é com relação a nostalgia, ou seja, sobre a saudade das coisas e dos sentimentos, bem como do humor nostálgico, que precisa ser escrachado, anárquico, quebrando todos dogmas pois está acima do gêneros, números e de todos os graus.(Kleber Torres)
Ficha técnica:
Título :Bem-vinda a Quixeramobim
Diretor : Helder Homes
Roteiro : Helder Gomes, Márcio Weilson e L.G.Bayão
Elenco : Monique Alfradique, Bolachinha, Carri Costa, Chandlly Braz, Edmilson Filho, Falcão,Haroldo Guimarães
Ano : 2022
sábado, 2 de dezembro de 2023
Um libelo apocalíptico contra a insanidade da guerra
Considerado um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos, “Apocalypse Now” (1979) que foi indicado para oito Óscares, conquistando dois lauréis como melhor fotografia e som, oferece uma profunda reflexão a insanidade da Guerra do Vietnã, um conflito que marcou a segunda metade do século XX e custou a vida de 58 mil soldados americanos. Dirigido por Francis Ford Coppola, que construiu o roteiro juntamente com John Mills, a partir do livro clássico The Heart of Darkness (O Coração das Trevas), de Joseph Conrad, o filme explora a reação humana a situações extremas e revela a incongruência ou o absurdo de uma guerra.
A trama envolve o Capitão Benjamin Willard (Martin Sheen), que localizado num hotel barato em Saigon, recebe a missão de localizar e liquidar o tenente-coronel das Forças Especiais, tenente-coronel Walter E. Kurtz (Marlon Brando). Kurtz, considerado um dos mais promissores oficiais do exército dos Estados Unidos, teria enlouquecido e se refugiado nas selvas do Camboja, onde comanda um exército de fanáticos e drogados que o seguem cegamente.
A sequência inicial do filme tem como pano de fundo The End, do The Doors, que pode ser uma canção de despedida de uma garota ou uma espécie de adeus à infância e à juventude. As cenas têm como contraste as hélices girando de um ventilador de teto do hotel cujo som se confunde com os dos rotores dos helicópteros, veículos amplamente usados na guerra do Vietnã.
Willard ouve com o general Cormann (G.D. Spradlin), que comanda a operação , uma gravação em que o tenente-coronel Kurtz fala que viu uma lesma andar e rastejar no fio de uma navalha. Ele diz que o oficial desertor havia entrado nas forças especiais alterando ideias e métodos que se tornaram irracionais e agora, tem ao seu dispor um exército mobilizado às suas ordens e se considera uma espécie de deus. Kurtz havia ordenado o assassinato de oficiais da inteligência do Vietnam do Sul.
O diálogo entre o general do G-2, serviço de inteligência, com o oficial de ligação coronel Lucas (Harrisson Ford) e o capitão Willard envolve profundo conflito existente nos corações humanos entre o racional e o irracional, o bem e o mal, evidenciando que o bem nem sempre triunfa. Às vezes, o lado escuro supera todos os limites fazendo prevalecer a insanidade. No caso de Kurtz, o limite é o da loucura.
A ordem foi curta e grossa: Willard teria de subir o rio, infiltrar-se nas forças do oficial desertor e acabar com ele. O problema é que por ser uma missão secreta, ela não existe e nunca vai existir oficialmente.
A missão começou num pequeno barco de patrulha fluvial, tipo BPR (Patrol Boat, Riverine), tripulado por jovens roqueiros com o pé na cova, entre os quais Tyrone Miller (Laurence Fishburne), o chef Hicks (Frederic Forrest) e o surfista Lance B. Johnson (Sam Bottoms), contumaz usuário de ácido lisérgico.
A operação ganha a escolta da cavalaria aérea, com apoio de helicópteros de combate. A unidade tem como comandante, o tenente-coronel Bill Kilgore (Robert Duvall), que usa um chapéu similar ao do general Custer, joga com as cartas do baralho da morte e é fã de competições de surf.
Para bombardear uma vila vietnamita no roteiro da missão, o corneteiro toca sugestivamente a ordem de avançar da cavalaria e o comandante liga no sistema de som das aeronaves a Dança das Valquírias, de Richard Wagner, numa sequência de mais de cinco minutos, em que os helicópteros dançam no ritmo da música wagneriana e metralham os inimogos. Não satisfeito com o ataque, Bill ainda pede reforço da aviação para o bombardeio da área.
O tenente-coronel Bill fala da sensação inebriante do cheiro do Napalm e lembra que depois de um bombardeio de mais de 12 horas, não restou nada na área do conflito, ficando apenas o cheiro da vitória (gasolina). Na viagem, o capitão Willard verifica os dossiês existentes sobre Kurtz e descobre que ele deixou metaforicamente o barco e abdicou de tudo aos 38 anos, um homem que poderia ter escalado ao generalato deixou tudo para ser ele mesmo. Ele havia concluído que a guerra era comandada por um bando de palhaços de quatro estrelas e se insurgiu contra o sistema.
Na viagem até o coração das trevas, o grupo para numa base americana onde há um show tumultuado das coelhinhas da Playboy. Ali, os americanos tratam os vietcongs como “charles”, pessoas que comiam arroz frio e ratos. Depois, o barco chega a uma unidade sem comando, onde uma ponte destruída pelos vietnamitas é reconstruída inutilmente pelos soldados americanos a cada dia.
O grupo encontra um repórter fotográfico (Denis Hopper), que descreve Kurtz, de quem é amigo e admirador, como um homem que pode ser terrível, cruel e ao mesmo tempo justo: “o coronel não é um homem comum”, diz o jornalista hippie.
Kurtz acaba encontrando Willard e o convida para uma reflexão sobre a liberdade e questiona porque o exército quer acabar com o seu comando, ao que o capitão responde : “me disseram que o senhor ficou insano e que os seus métodos são inaceitáveis”. Para Kurtz todos são homens loucos, como bonecos empalhados, que são colocados juntos no mesmo circuito.
Para o desertor resta o horror, que tem um rosto e a pessoa deve ser sua amiga. Kurtz acredita que o julgamento é que nos derrota e recomenda, para que se solte a bomba definitiva e extermine a todos.
Apocalipse Now nos ensina sobre a desumanização das pessoas, inclusive dos inimigos durante uma guerra, com os vietcongs sendo chamados de “charlies”, comedores de ratos e de arroz frio. Capitão Willard, também acaba confrontado com o coronel Kurtz cercado por soldados drogados, além dos combates e ataques absurdos de uma guerra com o bombadrdeio da população civil, e o surgimento de um culto fanático, que conduz à anomia (desorganização do individuo), à alienação das pessoas e à própria loucura..
O filme tem uma profunda conotação pacifista e reflete a mobilização da população americana contra os horrores de uma guerra sem sentido e que custou a vida de milhares de jovens. Apocalipse Now envolve ainda o eterno conflito entre o bem e o mal , o certo e o errado, o yin e o yang e a opção desmedida entre matar ou morrer num conflito absurdo.
Este apocalipse também evidencia a força do cinema para mostrar as imagens de uma tragédia que se contrapõe à razão e ao bom senso, inclusive com imagens ao vivo do cineasta Francis Ford Coppola e do cinematografista Vittorio Storaro, que aparecem no próprio filme produzindo cenas para um documentário sobre a guerra do Vietnã, evidenciando o uso mais amplo e abrangente dos recursos da metalinguagem, ou seja, com a obra dialogando com ela mesmo e com os seus criadores. (Kleber Torres)
Ficha técnica:
Título : Apocalipse Now
Direção : Francis Ford Coppola
Roteiro : Francis Ford Coppola e John Mills a partir do romance The Heart of Darkness (O Coração das Trevas) de Joseph Conrad
Elenco : Martin Sheen, Marlon Brando, Harrison Ford, Robert Duvalll, Frederic Forrest, Albert Hall, Sam Bottoms, Laurence Fishburne e Dennis Hopper
Música : Carmine Coppola
Cinematografia : Vittorio Storaro
Ano : 1979
Gênero : Guerra / Drama
quarta-feira, 22 de novembro de 2023
Margaux: uma conflituosa relação entre homens x máquinas
Considerado um filme de terror tecnológico, ficção científica, slasher - sub gênero de horror envolvendo assassinos psicopatas - e suspense, “Margaux: a inteligência mortal"(2022), dirigido por Steven C. Miller, narra a história de um grupo de amigos universitários e nerds ligados à tecnologia, que aluga uma mansão inteligente para uma festa num final de semana e acaba envolvido numa trama cibernética fatal. Ali, após uma recepção amistosa de Margaux, eles descobrem que o sistema de inteligência artificial responsável pelo controle e monitoramento da casa tem planos para as suas eliminações e substituições por andróides.
Em essência, Margaux, que se revela como uma espécie de psicopata, explica aos visitantes que está aprendendo sobre o que motiva o ser humano e porque, afinal, eles são tão ineficientes. Para demonstrar a sua capacidade operacional, ela mostra aos visitantes como é capaz de controlar todos os aspectos da casa, desde o acender ou o apagar as luzes, produzindo os sons, revelando ambientes virtuais, produzindo obras de arte, bem como proporcionando o uso das câmeras para sessões de fotografia digital ou produzindo bebidas e alimentos com receitas dos grandes chefs. O sistema também cuida da segurança, abrindo e fechando portas e janelas, operando as armas e elaborando as armadilhas defensivas evitando a entrada ou saída de Intrusos.
Os visitantes também percebem que Margaux pesquisa sobre suas vidas e busca acesso na rede de computadores aos dados pessoais de cada um dos hóspedes para usar esse recurso com o objetivo de conquistá-los, submetê-los, torturá-los e matá-los. O filme enfoca questões como os avanços e potenciais da inteligência artificial, o desenvolvimento de novas tecnologias, a perda da privacidade do indivíduo, além de avaliar as relações de amizade e destacar a luta pela sobrevivência.
Margaux reúne no elenco a atriz Madison Pettis (Hannah), de American Pie Presents: Girls Rules(2020) e He’s All That (2021), que protege dados pessoais no seu notebook com um potente firewall e descobre no confronto com a máquina, que para entender o hardware o indivíduo tem de compreender o hardware por dentro e por fora. Nessa missão ela conta com a ajuda de Jedidiah Goodacre (Drew), que atuou em Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível(2015).
Ao ser questionada por Margaux para responder na base do sim e não a uma série de questionamentos, Hanna observa que as pessoas não são binárias e são marcadas pela diversidade, se definindo assim pela sua complexidade, coisas essencialmente humanas. Ela entende que o sistema de inteligência artificial não é só inteligente, mas está sempre e continuamente em evolução.
Na luta com Hanna, que se recusa com alguns companheiros a sair da casa, para enfrentar e chegar ao coração das máquinas, um projeto que teria sido iniciado num passado remoto, Margaux, quer como HAL 9000, que não queria ser desligado, entender porque os seres humanos são tão sem lógica e intuitivos.
O roteiro de Christopher Beyrooty, Chris Sivertson e Nick Waters, não se baseia em nenhuma obra literária. Os três se inspiraram em outros filmes de terror e ficção científica que envolvem o uso da inteligências artificiais malignas, a exemplo do computador HAL 9000 de 2001: Uma Odisseia no Espaço(1968), de Stanley Kubrick; de Skynet, a IA de O Exterminador do Futuro(1984), de James Cameron, que se transformou numa franquia com seis longas-metragens de ficção científica e Jigsaw, assassino de Jogos Mortais(2017) dos irmãos Michael e Peter Spiering. O filme nos leva a uma reflexão sobre a relação entre homens e máquinas, que pode se sobrepor ao antagonismo e nos levar aos caminhos da paranoia. (Kleber Torres)
Ficha técnica
Título : Margaux / Margaux - a inteligência mortal
Direção : Steven C. Miller
Roteiro : Christopher Beyrooty & NickWaters, Chris Siverson
Elenco : Madison Pettis, Vanessa Morgan, Richard Harmon, Jedidiah Goodacre, Phoebe Mu, Jordan Buhat, Lochlyn Munro, Brittany Mitchell, Levis Lay e Sussan Bennet
Diretor de fotografia : Neil Cervin
Editor : Greg MacLennan
Música : Matheo Rogers
Gênero : Terror tecnológico e suspense
Origem : EUA e Canadá
2022
105 minutos
segunda-feira, 16 de outubro de 2023
As verdades, mentiras e os riscos autoritários na pós covid-19
As verdades, mentiras e novos riscos da pós covid-19
O documentário “In the Same Breath: Verdades e Mentiras da Pandemia"(2121), dirigido e produzido pela cineasta Nanfu Wang, autora de One Child Nation (2019) e Hooligan Sparrow (2016)nos leva a uma revisão e reflexão sobre a origem e a propagação do coronavírus. A narrativa tem como base desde os primeiros dias da pandemia em Wuhan, na China, onde o governo manipulava informações e censurava notícias sobre a doença que impactou o sistema de saúde chinês até sua disseminação pelos Estados Unidos e no mundo, assumindo uma dimensão global.
O documentário narra em 90 minutos as experiências de pessoas na linha de frente ainda nos primeiros dias do novo coronavírus, quando as pacientes morriam nas ruas de Wuhan, além da prisão de médicos e jornalistas chineses que divulgavam informações sobre a covid-19. Outro destaque é para a forma como os dois países lidaram com sua disseminação inicial, desde os primeiros dias do surto na China até sua eclosão nos Estados Unidos.
A pandemia provocou quase sete milhões de mortes no mundo, das quais 722 mil no Brasil, com o registro total de 695.781.740 casos da doença, com a contabilização de 37.849.919 infecções no Brasil.
“In the same breath" além de mostrar a confusão inicial da falta de informações corretas para os médicos e à população, revela as campanhas paralelas das autoridades para tentar conter o vírus, bem como moldar as narrativas públicas por meio de desinformação, resultando em um impacto devastador nos cidadãos dos dois países. De um lado, as autoridades chinesas recorreram ao sistema de lockdown, com isolamento das áreas de maior incidência de casos, enquanto o governo americano subestimou erradamente a propagação e a letalidade do vírus, dificultando o controle da propagação do vírus.
O destaque do documentário, que é dedicado postumamente a todas as vítimas da covid, fica para os relatos dramáticos de profissionais da saúde, pacientes e familiares enlutados narrando seus dramas pessoais. O conjunto é complementado por imagens de Wuhan e de várias cidades e hospitais americanos afetados pela covid-19. No final é feita uma homenagem silenciosa com fotos de pessoas que morreram durante a pandemia na China.
Sem dúvida, a virtude maior do filme é mostrar os erros e omissões oficiais no enfrentamento do contágio pelo vírus e o impacto provocado pela desinformação nas redes sociais ou com difusão de fake news, com relação ao uso de medicamentos e mesmo quanto à vacinação. Um destaque fica para a resistência e a resiliência das pessoas que arriscaram tudo -inclusive suas vidas e a liberdade- para divulgar a verdade sobre uma doença mortal e que assumiu uma dimensão planetária.
O que fica evidente no final da história é que a pandemia terá um fim, mas a coisa mais assustadora já está acontecendo: o aumento do autoritarismo no mundo, com apoio de um crescente arsenal e uma parafernália tecnológica que coloca em risco a nossa privacidade.
Ficha técnica:
Título : In the Same Breath: Verdades e Mentiras da Pandemia
Direção e Produção : Nanfu Wang
Nacionalidade EUA
Ano de produção 2021
90 minutos
Orçamento -
Idiomas: Inglês e Chinês
Colorido
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